27 fevereiro 2014


Desde o início do mês que estou a viver e trabalhar em Londres. É uma mudança gigantesca - pessoal, profissionalmente, e também em coisas aparentemente menores mas que são uma parte importante do que somos, como a culinária. A gastronomia inglesa é diferente em muitos aspectos - logo à partida ao nível dos ingredientes e da facilidade ou dificuldade em encontrar muitas coisas a que estamos habituados em Portugal. O peixe é uma delas. Numa ilha como estas, seria de esperar ser muito mais fácil encontrar peixe fresco, inteiro, à venda em todos os supermercados, mas nem sempre a escolha é a melhor. Há dias arrisquei comprar um quilo de trutas frescas, mesmo não sabendo muito bem o que iria fazer com elas. Confesso que nunca tinha comido truta, muito menos as tinha cozinhado. Mas algum dia teria de ser o primeiro...

Após uma pesquisa pela internet em busca de ideias, resolvi inventar um pouco, com alguns ingredientes que encontrei. Nada de complicado - mas o resultado final... Não estava à espera de tanto, para dizer a verdade. Ficou perfeito. A truta estava no ponto, os sabores complementavam-se - o peixe, o cítrico do limão e da erva-príncipe, os coentros, as amêndoas... Acabei por descobrir um novo prato, óptimo para fazer ao jantar cá em casa. E voltei a trazer o peixe em força para o meu dia-a-dia.


Ingredientes (1 pessoa - estou sozinho em casa...):
1 truta
1 limão
1 punhado de amêndoas, idealmente laminadas, mas podem perfeitamente ser inteiras
1 talo de erva-príncipe
coentros
sal
pimenta
vinho branco
azeite
batatas


Preparação:
Ligue o forno a cerca de 170º em modo ventilado. Lave as batatas e leve-as a cozer com casca em água e sal.

Pique os coentros, raspe a casca do limão (reservando o limão!) e corte a erva-príncipe em rodelas muito finas. Coloque uma folha de papel de alumínio sobre um tabuleiro de forno e deite a truta sobre ele. Com uma faca, dê uns golpes na diagonal sobre um dos lados da truta.

Misture os coentros picados com a raspa do limão e um pouco de sal. Massaje bem a truta com a mistura, colocando um pouco dentro da cavidade do peixe. De seguida, polvilhe com um pouco de pimenta e deite as amêndoas por cima (e, mais uma vez, também por dentro). De seguida corte meias rodelas finas de limão e encaixe-as nos golpes que fez sobre a truta.

Finalmente, regue com um pouco de vinho branco e enrole a truta no papel de alumínio, dobrando-o nas pontas. Leve ao forno por cerca de 20 a 25 minutos até a truta ficar cozinhada.

Sirva com as batatas, regando com um fio de azeite.

04 janeiro 2014

Uma pessoa de família falou nisto por acaso, e lá fui eu à net pesquisar o doce de pimentos vermelhos. Várias receitas, de ambos os lados do Atlântico, convenceram-me que valia a pena experimentar. Várias receitas sugerem o uso de pectina líquida como espessante, mas é mais simples numa cozinha portuguesa encontrarmos maçãs ou marmelos do que pectina, e por isso segui as receitas que usavam maçãs. Provei a meio da fervura e achei que precisava de umas cascas de limão, que não vêm em receita nenhuma… resisti por alguns minutos, porque tenho a mania de meter limão em tudo, mas lá cedi e juntei as cascas de limão, que além do sabor também ajudam a espessar. No fim, o sabor é muito interessante. Primeiro vem o sabor de pimento, e o cérebro parece ficar em alerta como que a dizer “isto vai correr tão mal!...” mas depois surgem as notas doces do açúcar e este doce de pimentos vermelhos fica definitivamente aprovado! O cérebro fica baralhado com os sabores a pimento e a doce, tão contrastantes e inesperados em conjunto. Muito bom.

Ingredientes para 2 frascos médios de doce:
  • 700 g de pimentos cortados grosseiramente
  • 150 g de maçã (1 grande maçã reineta, por exemplo)
  •  550 g de açúcar (pode juntar mais se for guloso – aviso que eu cortei um pouco no açúcar)
  • 100 ml de vinagre de sidra
  • 2 cascas de limão


Preparação

Corte os pimentos (cerca de 4) em cubos de 1 a 2 cms, sem sementes e sem as partes brancas. Leve a um copo misturador e triture com o vinagre e com a maçã já cortada em cubos também. Triture pouco, deixando uma consistência grossa.

Leve a ferver numa panela e junte o açúcar e as cascas de limão. Deixe fervilhar enquanto mexe a mistura com uma colher de pau, durante 25 a 30 minutos,  para reduzir os líquidos e deixar o doce na consistência certa.

Guarde em frascos (fervidos por 5 mins em água para esterilizar) e feche bem. Aprecie com tostas ou mesmo juntando no prato a umas costeletas ou entrecosto grelhado.

Na União Europeia houve em tempos uma enorme discussão sobre o que significa doce, geleia, compota e marmelada em cada uma das línguas devido aos apoios de fundos comunitários, porque aquilo a que uns chamam marmelada é a compota ou a geleia dos outros. Uma confusão. Cada um com os seus hábitos, e no meu caso eu uso os termos doce e compota indiscriminadamente, e marmelada apenas para a compota de marmelo.

03 novembro 2013


Já tinha ficado a dever à generosidade do Paulo e da Maria, grandes amigos de Évora, a receita - e os ingredientes - da sopa de beldroegas que aqui coloquei no ano passado; agora junto nova sopa e novo agradecimento. Neste fim-de-semana tivemos o prazer de ter estes amigos cá em casa, carregados com tudo o que é preciso para fazer uma genuinamente alentejana sopa de feijão com mogango.

Antes de mais, e para quem não sabe, mogango é o nome alentejano de um tipo de abóbora (há quem indique na Internet que é o nome dado localmente à abóbora-menina, mas não posso confirmar se está correcto). E esta sopa é... uma delícia! E não se deixem enganar por ser uma sopa: isto é uma refeição completa. Vai-se petiscando enquanto se cozinha - pão, queijo, azeitonas... -, abre-se um vinho, conversa-se, come-se a sopa e está feito um almoço perfeito!

Uma nota final antes da receita propriamente dita: o Paulo teve o cuidado de me dizer que há quem faça a sopa esmagando a abóbora em vez de a deixar em pedaços como se vê na foto. Como em todas as receitas tradicionais, esta terá tantas variantes quantas as pessoas que a fazem, e esta é a receita que o Paulo conhece de família. Eu não conheço outra mas garanto que esta é excelente assim, como está!


Ingredientes (éramos quatro e ainda sobrou... ):
1 lata de 400g de feijão manteiga (nota: a receita tinha originalmente feijão em lata, mas é preferível comprar o feijão e cozê-lo em casa, de preferência em panela de pressão, para aproveitar a água, que é muito mais saborosa. Foi o que fizemos neste caso, e refiro isso na receita. Neste caso, o feijão deve ser deixado de molho durante a noite)
1,5kg de mogango
3 dentes de alho
1 molho grande de coentros
1 folha de louro
2 colheres de sopa de farinha
colorau
azeite
sal
vinagre


Preparação:
Se tiver comprado feijão cru, coloque-o numa panela de pressão, junte água (foi a olho - entre 1 a 1,5 litros) e sal e deixe cozinhar por cerca de 20 minutos. No final não deite a água fora!

Entretanto pique os alhos, corte o mogango aos cubos e pique os coentros. Reserve.

Cubra o fundo de um tacho com azeite, leve ao lume e junte-lhe os alhos picados e a folha de louro. Deixe refogar um pouco e junte o mogango e os coentros, misturando bem com uma colher de sal. Deite um pouco de colorau, tempere com sal e deixe cozinhar em lume brando. O mogango vai perdendo água com a cozedura, o que evitará que pegue ao fundo, mas ainda assim mexa de vez em quando com a colher de pau, mas com cuidado para não desfazer a abóbora - quando notar que esta já começa a estar cozida, junte o feijão escorrido e misture, deixando apurar.

Entretanto, dissolva a farinha (é mais fácil se a peneirar) na água de cozedura do feijão (ou em água simples, se tiver usado feijão de lata), para a engrossar. Deite a água no tacho até cobrir o feijão e o mogango. Para finalizar, deite um pouco de vinagre, mexa, e prove. Se necessário corrija o sal e o vinagre.

Está pronto a servir - bom apetite!

02 setembro 2013


Antes de mais, um aviso: este bolo é uma bomba. Uma verdadeira bomba. Mas é extraordinariamente bom - e simples de fazer! A receita é da Donna Hay, publicada na revista Living Etc, e publicada aqui sem grandes alterações; em vez de licor de café usei mesmo café - de resto mantive as quantidades e os ingredientes, embora pudesse perfeitamente reduzir o açúcar, na base e no merengue. Fica para a próxima, porque de certeza que o voltarei a fazer!


Ingredientes:
Para o bolo:
200g de chocolate negro
250g de manteiga sem sal
150g de açúcar
175g de açúcar mascaado
4 ovos
200g de farinha sem fermento
2 colheres de sopa de cacau em pó
1 colher de sopa de café (fiz um expresso e usei parte)

Para o merengue:
4 claras
220g de açúcar
1 colher de sopa de maisena
2 colheres de chá de vinagre de vinho branco
1 colher de chá de café (usei o mexmo expresso), mais um pouco para decorar


Preparação:
Comece por ligar o forno a 160º. De seguida corte o chocolate em pedaços (uma faca de pão é ideal para isto) e coloque-o num tacho pequeno, juntamente com a manteiga em pedaços. Leve a lume muito brando, mexendo até derreter e misturar bem (cuidado - se o chocolate queimar não resta nada senão ir para o lixo!). Reserve.

Numa tigela junte os açúcares, os ovos, a farinha, o cacau e o café. Deite a mistura de chocolate e manteiga e mexa até combinar bem - a massa está pronta. Unte bem uma forma circular com manteiga, deite-lhe a massa e leve ao forno por cerca de 30 minutos ou até um palito espetado ficar seco. Retire do forno e deixe arrefecer na forma enquanto prepara o merengue. De caminho ligue o grill do forno - vai precisar dele no final.

Com uma batedeira bata as claras até formar uns picos suaves. Vá juntando o açúcar a pouco e pouco, batendo sempre, engrossando o merengue. Finalmente, junte a maizena, o vinagre e o café e bata até ficar bem combinado. O merengue está pronto.

Desenforme o bolo (mas mantendo-o num prato que possa ir ao forno - pode ser a base da forma) e, com uma espátula, cubra-o com o merengue. Leve ao forno, sob o grill, até o merengue ficar dourado (é rápido - cuidado para não queimar). Deite um pouco de café por cima e está pronto a servir!

16 maio 2013


aqui falei em tempos do livro "The Family Meal - Home Cooking With Ferran Adriá", que reúne as receitas das refeições que eram feitas para a equipa do El Bulli. É um dos meus livros preferidos - reúne várias receitas simples, organizadas em menus completos, mas sempre com um aspecto óptimo - apetece comer directamente das fotos! Até hoje, tudo o que fiz do livro saiu bem, o que me faz ter plena confiança nas receitas. Quando apetece cozinhar alguma coisa e não temos ideias nenhumas, pegar neste livro resulta sempre bem.
Esta receita é um bom exemplo. Embora com alterações (a receita original era com borrego, eu usei entrecosto), saiu um prato delicioso e que, embora seja demorado, não é nada complicado de fazer.


Ingredientes (4 pessoas):
1,5 kg de entrecosto de porco
1 molho de hortelã
3 colheres de sopa de mostarda com grão
3 colheres de sopa de molho de soja
3 colheres de sopa de molho inglês
cerca de 400ml de água (a receita fala em litro e meio, mas parece-me claramente um exagero - a carne ficaria completamente submersa, o que não bate certo sequer com as fotos da preparação que vêm no livro!)
azeite
sal
pimenta


Preparação:
Aqueça o forno a 180º. De seguida, arranque as folhas de hortelã dos caules e reserve-as. Tempere o entrecosto com sal e pimenta. Leve uma frigideira a lume forte com um fio de azeite e frite o entrecosto até ficar dourado de ambos os lados. Retire a carne para um tabuleiro de forno. De seguida tempere a carne com a mostarda, o molho de soja e o molho inglês. Deite a água no tabuleiro (não é suposto submergir a carne; se for caso disso, reduza a quantidade de água). Finalmente, espalhe metade das folhas de hortelã sobre o entrecosto, cubra o tabuleiro com película aderente e leve ao forno.

Mantenha no forno durante 3 horas. De vez em quando vire a carne. A cerca de 40 minutos do final (fiz isto a olho, é um passo que não está na receita original) retire a folha de alumínio. A carne ficará mais tostada e o líquido reduzirá.

Após retirar o entrecosto do forno, pique muito finamente a hortelã que sobrou e espalhe sobre o entrecosto. Sirva, de preferência no tabuleiro (se passar a carne para um prato de servir, aproveite o molho do tabuleiro, que deverá estar bem saboroso após as 3 horas de forno!).

12 maio 2013



Já deve ser difícil para Jamie Oliver inventar conceitos novos para programas de televisão e livros. Um dos mais recentes propunha, a cada programa, uma ementa para uma refeição completa que se podia fazer em 30 minutos. O programa resultava bem, mas o livro respectivo é muito mais confuso - para cumprir os 30 minutos é necessário fazer todos os pratos ao mesmo tempo, saltando de passos de uma receita para os das outras, o que torna tudo um pouco mais confuso quando só queremos fazer um dos pratos. Ainda assim é um livro interessante, principalmente porque apresenta pratos simples, com truques para acelerar a sua feitura, e que podem servir de boa inspiração.

Este cheesecake é uma das receitas do livro e é bastante simples de preparar. Simples, mas eficaz: os sabores (bolacha, limão, framboesa, mascarpone) combinam muito bem e é uma sobremesa bonita e que causa impacto no final de um jantar.


Ingredientes:
50g de manteiga
50g de avelãs
8 bolachas digestivas
1 limão
1 frasco de lemon curd (claro que se pode fazer lemon curd caseiro - e até temos receita aqui no blog -, mas já se encontram por cá alguns de muito boa qualidade, o que acelera a preparação da receita; é suposto ser um cheesecake "rápido"!)
250g de queijo mascarpone
150g de framboesas
extracto de baunilha
leite
açúcar em pó
chocolate negro, para decorar


Preparação:
Se conseguir comprar avelãs já descascadas, óptimo. Caso contrário, leve-as ao forno uns minutos, retire-as e deixe arrefecer. Envolva-as em papel de cozinha e esfregue-as entre as duas mãos. A pele deverá sair facilmente.

Triture as bolachas e as avelãs grosseiramente - melhor maneira: coloque as bolachas e as avelãs fechadas dentro de um pano de cozinha e bata-lhes com um rolo da massa. É terapêutico! De seguida, derreta a manteiga numa frigideira e junte a bolacha e as avelãs. Misture bem e junte a raspa da casca do limão. A base do cheesecake está feita - deite-a em taças ou copos de servir, calcando bem no fundo de cada copo.

De seguida, coloque em cada copo uma boa colherada de lemon curd sobre a base de bolacha, e, sobre o lemon curd, algumas framboesas.

Agora o creme de mascarpone - deite o queijo numa tigela, junte umas gotas de extracto de baunilha e um fio de leite. Junte um pouco de açúcar e misture com uma colher até ficar cremoso. Se necessário junte mais leite até obter a consistência certa ou mais açúcar se quiser mais doce (tenha em atenção a doçura do lemon curd!). Assim que estiver feito, deite uma porção generosa em cada copo, sobre as framboesas. Termine raspando o chocolate negro sobre o creme. Está pronto a servir!

21 abril 2013



Aviso: quem estiver de dieta passe à frente por favor. Sim, isto são beringelas, mas são fritas. E com queijo - muito queijo. Então porquê fazê-las? Porque são óptimas! As melanzane alla parmigiana (assim chamadas por levarem queijo parmesão, e não por serem da região de Parma; na verdade é um prato típico do sul de Itália) servem de entrada ou de prato principal, e são um prato sublime. Não é o mais rápido dos pratos italianos, mas é simples de fazer. E como se pode preparar de véspera, torna-se ideal para servir num almoço ou jantar com amigos.


Ingredientes (para um tabuleiro grande, chega e sobra para 4 pessoas):

4 beringelas
2 queijos mozzarella
queijo parmesão
500g polpa de tomate
1 cebola pequena
2 dentes de alho
algumas folhas de manjericão
sal
açúcar
farinha
2 ovos


Preparação:
Lave as beringelas e corte-as às rodelas (cortei a olho, mas talvez com cerca de meio centímetro ou um pouco mais). Coloque as rodelas num passador grande, às camadas, colocando sal abundante entre camadas. No final ponha uma taça pesada por cima, para fazer pressão. Deixe repousar durante no mínimo meia hora. Este passo é necessário para que as beringelas larguem o líquido amargo que contêm.

Passado todo o tempo, lave bem as beringelas e reserve-as. Aqueça um pouco de óleo numa frigideira ou wok (pessoalmente, prefiro o wok). Coloque um pouco de farinha numa tigela; noutra coloque os dois ovos, batidos com um garfo. Assim que o óleo estiver quente, passe cada rodela de beringela pela farinha e pelo ovo e frite-as. Coloque-as num prato, sobre papel de cozinha absorvente. Reserve.

Entretanto prepare o molho de tomate: coloque numa panela um fio de azeite, a cebola cortada em quartos ou oitavos e os dentes de alho. Deixe alourar. Junte a polpa de tomate, o manjericão e uma colher de chá de açúcar (para cortar a acidez do tomate) e cozinhe durante uns minutos. Assim que estiver pronto, pegue na varinha mágica e triture (esta ideia de colocar a cebola e o alho quase inteiros, triturando apenas no fim, é uma sugestão de uma amiga que nos passou a sua versão desta receita, e que funciona bem - e acelera a feitura do molho).

Agora é só montar o prato. Primeiro ligue o forno a 190º. De seguida, deite um pouco de molho de tomate no fundo de um pirex e faça uma camada de rodelas de beringela por cima. Sobre as beringelas deite pedaços de mozzarella e paremesão ralado. Repita com as mesmas camadas: um pouco de molho, rodelas de beringela, mozzarella e parmesão. Repita até acabar os ingredientes.

No final leve ao forno por cerca de meia-hora e está pronto a servir!

19 abril 2013

Sejam bem-vindos ao novo aspecto do blog. Mudou o grafismo, mas mantém-se o conteúdo como estava.
Se notarem algumas falhas ao longo destes dias, deixem por favor um comentário - é natural que possa haver falhas e tentaremos corrigi-las!
De resto... esperamos que gostem!!

07 fevereiro 2013


Por força de reuniões telefónicas semanais marcadas a horas complicadas, é difícil conseguir ter tempo para almoçar à quinta-feira. De início resolvi o problema comprando sandes no bar, que depois comia ao telefone durante as reuniões, ou na copa se a primeira reunião acabasse mais cedo. Entretanto achei que se era para comer sandes, então mais valia fazê-las eu em casa - seria mais saboroso e mais divertido. Das que já experimentei, esta foi a que me saiu melhor - o aioli (enfim, falsificado porque faço-o a partir de maionese já feita em vez de me aventurar a fazer um aioli de raiz...) tem um sabor forte, que complementa muito bem com os cogumelos e a mozzarella. Bem melhor que as sandes do bar!


Ingredientes (meio a olho, porque dependem sempre do tamanho do pão e das preferências pessoais - uma sandes é uma sandes, não precisa de grande técnica!):

4 cogumelos shiitake
1 queijo mozzarella
maionese
um punhado de tomates secos
um punhado de folhas de manjericão (também já a fiz com cebolinho e resultou bem!)
1 dente de alho
sumo de limão
azeite
1 baguete


Preparação:

Para fazer o aioli deite num robô de cozinha um pouco de maionese, o dente de alho esmagado, umas gotas de sumo de limão, um fio pequeno de azeite, os tomates secos e o manjericão. Triture tudo. Prove. Se lhe parecer que podia ter mais um pouco de qualquer um dos ingredientes, junte-o e triture de novo - não há regras, tem é de lhe saber bem!

De seguida limpe os cogumelos, deite-lhes um pouco de azeite e leve-os a grelhar numa frigideira grill, de ambos os lados, até estarem com aquele ar apetitoso de cogumelos grelhados!

Agora abra a baguete, separando totalmente ambas as metades. Sobre a metade inferior coloque os cogumelos. Por cima ponha a mozzarella cortada em fatias. Barre generosamente a metade superior do pão com o aioli, feche a sandes e está pronta a comer!

04 fevereiro 2013


Fui recentemente a um curso de cozinha vietnamita dado pelo chefe Paulo Morais do Restaurante Umai (o curso foi dado no espaço feedme, que tem uma agenda interessante de cursos - vale a pena espreitar!). O Umai é bem capaz de ser neste momento o restaurante onde mais gosto de ir em Lisboa, e este curso era imperdível, ainda para mais sendo de cozinha vietnamita, pela qual tenho um carinho especial.

Um dos pratos que fizemos foi este satay de camarão. Em termos de princípios básicos tem alguns pontos de contacto com uma das primeiras receitas que coloquei aqui no blog (a mousse de camarão em cana-de-açúcar, que aliás tenho de repetir e fotografar, porque aquela fotografia faz doer-me a alma... enfim, estávamos no início do blog...), mas ao mesmo tempo é bastante diferente nos ingredientes e no sabor.

Um dos ingredientes necessários é pasta de caril verde, que o chefe levava já feita para o curso mas cuja receita partilhou connosco - no fim-de-semana a seguir ao curso fiz em casa e saiu tudo muito bem, quer a pasta, quer o satay. Ficam aqui ambas as receitas - a pasta pode guardar-se e aproveitar para outros pratos (é extraordinariamente aromática e saborosa).


Ingredientes:
Para a pasta de caril verde:
4 chalotas
4 dentes de alho
5 malaguetas verdes
4 fatias finas de gengibre ou de galanga (usei gengibre)
2 colheres de sopa de coentros em pó
200gr de coentros frescos
1 talo de erva-príncipe
raspa de 1 lima
2 colheres de chá de açúcar demerara
molho de peixe
óleo

Para o satay de camarão (2 pessoas):
6 a 8 camarões 30/40
100ml de leite de coco
1 colher de sobremesa de coco ralado
100gr de manteiga de amendoim
100gr de amendoim picado
molho de peixe
pasta de caril verde
talos de erva-príncipe
óleo


Preparação:
Para preparar o caril junte num robot de cozinha as chalotas, o alho, as malaguetas (com ou sem sementes, consoante prefira mais ou menos picante), o gengibre ou galanga, os coentros (em pó e frescos), o talo de erva-príncipe, a raspa de lima, o açúcar e o molho de peixe. Triture tudo até obter uma pasta. Deite um pouco de óleo numa frigideira ou wok, deite-lhe a pasta e cozinhe durante cerca de 5 minutos. Deixe arrefecer e guarde.

Agora o satay - misture num tacho o leite de coco, um pouco de pasta de caril verde (a gosto - usei 2 ou 3 colheres bem cheias), o coco ralado, a manteiga de amendoim e os amendoins picados e um pouco de molho de peixe para temperar. Misture bem e cozinhe um pouco, só até engrossar. Deixe arrefecer.

De seguida, no robot de cozinha junte os camarões com o conteúdo do tacho e triture novamente. Deite o resultado numa taça. Corte os talos de erva-prícipe a meio pelo comprimento do talo. Cada metade será o espeto de um satay. Para preparar o satay molhe as mãos no óleo (facilita muito!), pegue numa bolinha de massa (não precisa de ser muita quantidade ou será muito mais difícil que a massa cozinhe uniformemente) e enrole-a ao espeto de erva-príncipe. Repita com os seguintes espetos.

Deite um pouco de óleo numa frigideira e assim que estiver quente use-o para fritar os satays, rodando-os até estarem uniformes. Retire para uma folha de papel absorvente e sirva.

02 fevereiro 2013

Imaginei primeiro esta receita a pensar nos meus filhos, tentando que eles comessem mais feijão. Olhei para o frasco de feijão branco cozido, pensei em como o tornar mais guloso, mais próximo dos gostos de uma criança. Um olhar rápido para a cesta da fruta deu a inspiração necessária e soube logo o que ia fazer – cozer fruta e fazer um puré com o feijão. Para tornar tudo mais interessante, uma estrela de anis haveria de dar um pequeno toque exótico que também iria apelar aos adultos. Lamentavelmente os miúdos não gostaram… comemos nós, os adultos, com muito gosto!

Ingredientes para 4 pessoas:

4 alheiras
400 g de feijão branco cozido escorrido
2 maçãs golden
1 pêra rocha
1 estrela de anis
2 c. sopa de azeite
1 dente de alho
Sal e pimenta q.b.

Preparação:

Corte a fruta em pedaços e leve a cozer num tacho pequeno em pouca água com a estrela de anis. Escorra e reserve. No tacho aqueça o azeite com o dente de alho esmagado. Retire o alho e adicione os feijões com a fruta por cima, aquecendo-os por alguns minutos. Triture tudo com a varinha mágica e para ficar mais cremoso e sem fibras passe tudo por um coador de arame. Tempere a gosto com sal e pimenta.

Entretanto, pique as alheiras com um palito de ambos os lados e leve-as a uma frigideira quente até ficarem bem alouradas de ambos os lados. Sirva as alheiras por cima do puré.

Este puré tem toda a aparência de um puré de batata, mas um pouco mais fluido. Contudo, o sabor é muito mais interessante e presta-se seguramente a acompanhar outros pratos.

19 janeiro 2013


Sempre que posso, faço questão de envolver na cozinha as crianças cá de casa. Seja só a mostrar e explicar o que estou a fazer, ou mesmo a pedir-lhes ajuda e a deixá-los meter as mãos na massa (por vezes literalmente). Ou pelo menos com o mais velho, que o mais novo ainda não tem idade para se interessar muito.

Daí que esta receita me tenha interessado. Foi-me passada pela Ana, uma amiga que também tem duas crianças em casa (aliás, uma delas nascida exactamente no mesmo dia que um dos meus rapazes), e que me garantiu que era uma receita óptima para fazer com crianças. Experimentei hoje e tenho de concordar: foi um sucesso. Aliás, não só com as crianças, mas também com os adultos. Mais ainda porque eu adoro bolos (e doces, e sobremesas em geral...) com coco.


Ingredientes:
125g de açúcar
1 queijo fresco grande
4 gemas
1,5 colher de sopa de farinha
100g de coco


Preparação:
Junte o açúcar, o queijo, as gemas e a farinha num tacho. Leve ao lume (lume médio), mexendo com uma colher de pau até começar a engrossar. Retire e deixe arrefecer.

Assim que estiver frio, junte o coco ralado, mexendo bem. Com ou sem ajuda de crianças, pegue em pedaços pequenos da massa e molde em bolinhas. Coloque num tabuleiro de forno coberto com uma folha de papel vegetal. Leve ao forno a 180º por cerca de 10 minutos ou até estarem cozidos. E é só isto!

30 dezembro 2012

Se alguém ainda achar que a comida vegetariana é desinteressante e sem sabor, este prato é ideal para mudar de vez essa ideia.

A receita vem do livro "More From The Accidental Vegetarian", de Simon Rimmer, de quem já aqui falei uma ou outra vez. É uma receita curiosa, porque à partida parece ser só um prato de... grão e batata. Mas quando se prova é surpreendente, porque é muito mais do que isso - os cominhos, o aipo, o pimento, o piri-piri... todos os ingredientes contribuem para dar um grande sabor ao prato. Apetece repetir e repetir...

(Nota: a receita de Rimmer tinha batatas normais, mas a batata-doce fica aqui muito bem!)


Ingredientes (4 pessoas):

Para as batatas:
8 batatas-doces
1 dente de alho
1 colher de sopa de sementes de cominho
cominhos em pó
sal
pimenta
azeite


Para o grão:
cerca de 800g de grão enlatado escorrido
200ml de crème fraîche
1 cebola vemelha
1 pimento vermelho
3 talos de aipo
1 dente de alho
2 piri-piris pequenos
1 colher de sopa de molho de tomate
1 colher de chá de pimentão
1 mão-cheia de folhas de espinafre 'baby'
algumas folhas de erva-cidreira fresca
azeite
sal
pimenta


Preparação:
Comece por descascar e cortar em cubos as batatas-doces. Ligue o forno a 180º em modo ventilado. Coloque as batatas num tabuleiro de forno, regue com azeite, tempere com o sal e a pimenta, misture bem, envolvendo as batatas no azeite e leve a assar no forno.

Passados dez minutos polvilhe com as sementes de cominho e um pouco de cominho em pó. Junte o dente de alho esmagado e leve novamente ao forno por mais cerca de um quarto de hora ou até as batatas estarem assadas (pode deixar mais tempo se gostar delas mais douradas/tostadas).

Agora o grão - pique a cebola e os talos de aipo. Limpe o pimento e os piri-piris de todas as sementes e pique-os também. Deite um fio de azeite numa frigideira grande, leve ao lume e junte a cebola, o pimento, o aipo, os piri-piris e o dente de alho esmagado. Deixe cozinhar por cerca de dez minutos. Nessa altura junte o pimentão e o puré de tomate. Mexa bem, ligando todos os ingredientes e deixe cozinhar mais cinco minutos. Junte o grão e o crème fraîche. Misture tudo muito bem. Tempere de sal e pimenta e deixe cozinhar um ou dois minutos. Prove e corrija os temperos se necessário. Finalmente adicione as folhas de espinafre e a erva-cidreira picada. Misture novamente, mais um ou dois minutos e está pronto!

Sirva o grão com as batatas por cima, acompanhando com um bom vinho!

20 dezembro 2012


Os ovos têm 3 papéis muito claros num bolo – dão sabor, ligam a massa, e ajudam o bolo a crescer no forno, criando aquela textura fofa. Um bolo sem ovos é um desafio, e portanto parti ao desafio de fazer um bolo vegan que parecesse tanto quanto possível com um bolo normal.

Para ligar a massa usei cenoura ralada. Tem muita humidade, um sabor bastante adocicado e rico, e as tiras finíssimas da cenoura ralada funcionam quase como fibras entrecruzadas e molhadas a ligar os ingredientes secos. Para trazer mais humidade, usei o sumo de uma laranja e azeite.

Enriqueci os aromas com raspa de laranja e de limão além de ter usado açúcar mascavado, e abusei do fermento para o bolo crescer alguma coisa. As sementes de papoila deram-lhe uma certa graça e notam-se levemente quando se trinca.

Por fim, usei algumas colheradas de “no egg”, um substituto artificial de ovo, mas não creio que tenha feito grande impacto. Eu diria que podem saltar o “no egg”…


Ingredientes:
350 g cenoura ralada
350 g açúcar mascavado
350 g farinha tipo 55
120 ml de azeite
3 colheres chá de fermento (ex: pó royal)
1  colher chá de canela
Sumo e raspa de 1 laranja grande
Raspa de 1 limão
4 colheres de chá de “no egg” diluídas em  10 colheres de sopa de água (opcional)
2 colheres de sopa de sementes de papoila (opcional)


Preparação:
Misturar a farinha, o açúcar, o fermento e a canela. Adicionar a cenoura, o azeite, o sumo e raspa de laranja, a raspa de limão, as sementes de papoila e o “no egg” diluído em água. Bater bem os ingredientes e levar ao forno em forma untada com azeite, a 170 graus por 50 minutos. Se usar uma forma de tabuleiro o bolo poderá demorar menos tempo.

Ficou muito bom. A repetir.

Nota: num regime de alimentação vegan não se come nada que tenha origem animal, seja carne, peixe, ovos, leite, mel, etc.

05 dezembro 2012


Eu sei, já é a terceira receita de macarons em pouco tempo. Mas depois de se acertar com o jeito, é irresistível experimentar novos sabores! Desta vez arrisquei mais quantidade - consegui encher cinco tabuleiros e o resultado foi óptimo. O sabor da framboesa combina muito bem com a amêndoa dos macarons - e a sua acidez corta o doce e equilibra muito bem o conjunto.

Mais uma vez - se isto lhe sair mal, não desespere. O mais difícil é mesmo apanhar o jeito, a partir daí começa a tornar-se bem mais fácil do que parece!


Ingredientes (entre 70 a 80 macarons):

Para os macarons:
220g de claras de ovo, divididas em dois recipientes (110g cada)
300g de amêndoa em pó
300g de açúcar
300g de açúcar em pó
75g água
22g de corante cor-de-rosa

Para o recheio de framboesa:
400g de chocolate branco
500g de framboesas frescas ou congeladas (usei congeladas)
200g de framboesas frescas
200g de água
100g de açúcar


Preparação:

Comece pelo recheio. Este tem duas partes - um creme de chocolate branco com framboesa, e framboesas em calda. Preparam-se ambos com alguma antecedência e separadamente.

Leve os 200g de água e os 100g de açúcar ao lume até ferver. Deite nessa calda os 200g de framboesas frescas, espere até que ferva novamente, retire do lume e reserve. Assim que arrefecer coloque no frigorífico a macerar.

De seguida, deite os 500g de framboesas para um robot de cozinha ou copo misturador e triture-as até obter uma pasta. Deite a pasta num tacho e ferva. A seguir corte o chocolate branco em pedaços pequenos (uma faca de cortar pão ajuda muito), deite-os numa tigela e coloque-a sobre um tacho com água de forma a que a tigela não toque na água. Leve ao lume e vá mexendo o chocolate até este derreter. Deite a pasta quente de framboesas sobre o chocolate, um terço de cada vez, e misture bem até obter um creme (a ganache). Deite num pirex, cubra com película aderente (a película deve tocar no creme), deixe arrefecer e leve ao frigorífico.

Agora os macarons - a receita é semelhante às duas que já aqui publicámos e vale a pena lê-las se for a primeira vez que os tenta fazer, principalmente a primeira, que é muito mais detalhada. Resumindo (mas não muito): peneire o açúcar em pó e as amêndoas em pó para uma mesma tigela. Misture o corante num dos recipientes de claras e deite sobre a mistura de açúcar e amêndoas sem mexer. Ponha de lado - já lá voltamos. Aqueça o açúcar e a água em lume médio. Assim que chegar aos 115º comece a bater a segunda porção de claras. Quando o açúcar chegar aos 118º, sem parar de bater as natas, deite-lhes o açúcar em fio, batendo sempre durante mais um minuto. Reduza a batedeira para velocidade média, bata mais dois minutos e páre. Acabou de fazer um merengue italiano. Deixe arrefecer até aos 50º e deite sobre a mistura de açúcar, amêndoa em pó e claras com corante.

Mexa bem com uma espátula de borracha, do centro para os lados da taça, rodando-a enquanto mistura. Misture até obter uma massa brilhante, que escorra da espátula. Ao escorrer a massa para a taça, a massa deverá voltar à sua forma em poucos segundos, caso contrário terá de mexer mais um pouco. Cuidado para não passar o ponto (eu sei que é complicado saber qual o ponto certo - é um dos pontos difíceis dos macarons... com tentativa e erro chega-se lá, a sério!).

Com a ajuda de um saco de pasteleiro faça montinhos de massa de cerca de 3,5cm de diâmetro com cerca de 2cm de espaço entre eles, sobre um tabuleiro forrado a papel de forno. No final bata com o tabuleiro sobre a bancada para libertar eventuais bolhas de ar. Deixe repousar cerca de 30 minutos.

Aqueça o forno a 180º em modo ventilado para obter uma temperatura o mais uniforme possível. Leve os macarons ao forno. Passados oito minutos abra e feche a porta para libertar humidade. Repita dois minutos depois e retire do forno mais dois minutos depois (tempo total = doze minutos). Deixe os macarons sobre o papel, mas retire do tabuleiro ou continuarão a cozer. Assim que arrefecerem retire-os do papel com cuidado.

Entretanto retire o recheio e as framboesas do frigorífico. Coloque o recheio num saco de pasteleiro e deite um pouco sobre um dos macarons. Com uma colher pequena, ponha um pouco de framboesa em calda sobre o recheio (cuidado com a calda - não molhe demasiado o macaron!). Cubra com outro macaron. Faça o mesmo com os restantes, leve ao frigorífico até ao dia seguinte - e estão prontos!

29 novembro 2012

Confesso que fazer pastéis de nata em casa era uma ambição antiga, mas só há pouco tempo é que experimentei fazer. Hoje foi a terceira tentativa e acho que estão no ponto certo. Das duas vezes anteriores havia sempre algo a correr mal - ou a massa estava muito grossa, ou o recheio cozia demais, ou ambos... -, mas desta vez ficaram óptimos.

Não inventei com a receita - fui buscá-la à "Bíblia", o "Cozinha Tradicional Portuguesa" de Maria de Lourdes Modesto, com uma única diferença: não fiz a minha própria massa folhada. Por dois motivos: não me apeteceu (quem confessa não merece castigo!) e porque se a fizesse teria muito maior consciência de como é feita e da quantidade de manteiga que leva, e acho que me sentiria muito mais culpado em cada pastel que comesse. Assim sendo, olhos que não vêem...


Ingredientes (cerca de 12 pastéis):
500g de massa folhada
5dl de natas
8 gemas
2 colheres de chá de farinha
200g de açúcar
casca de 1 limão


Preparação:

Há duas formas de preparar a massa dos pastéis. A primeira, e mais simples, é estender a massa até ficar bem fina e cortar círculos de massa um pouco maiores do que as formas (uso uma chávena larga para ajudar). Colocam-se os círculos nas formas e ajusta-se com os dedos até forrarem bem a forma. A massa não deve ficar muito grossa.

A segunda forma é esticar bem a massa e enrolá-la sobre ela própria fazendo um rolo comprido. De seguida, cortam-se pedaços de rolo com 2 a 3 cm, colocam-se nas formas ao alto e , fazendo pressão com os dedos, esmagam-se até forrar as formas, mais uma vez garantindo que a massa não fica demasiado grossa (mas cuidado para não a rasgar!)

O segundo método parece-me melhor para ter uma massa mais "folhada" e estaladiça, mas conseguem-se bons resultados com ambos.

De seguida, o creme: Deite as natas para um tacho e junte-lhe as gemas. Mexa um pouco. Com a ajuda de um passador, peneire o açúcar e a farinha sobre a mistura e mexa novamente. Junte finalmente a casca do limão. Leve a lume médio e vá mexendo sempre até começar a engrossar ligeiramente. Cuidado para não cozer demais, senão o creme começará a engrossar demasiado e a passar do ponto certo!

Deite o creme nas formas de massa e leve a forno muito quente. A Maria de Lourdes Modesto indica um intervalo de 250º a 300º. Eu usei o máximo do meu forno, 275º, e resultou bem. Vá controlando a cozedura a olho, não demora mais que 10 a 15 minutos. A nata vai "inchar" - não se preocupe, ela volta ao lugar depois de sair do forno. Quando a nata começar a ficar tostada no topo desligue o forno e retire as formas. Deixe arrefecer e desenforme com a ajuda de uma faca.

Se gostar, polvilhe com canela e açúcar em pó - está feito!




14 outubro 2012


Esta é capaz de ser a minha receita que mais tempo demorou a concretizar. Tive a ideia o ano passado, na época dos dióspiros. Pensei a receita toda, incluindo o empratamento, mas quando finalmente me decidi a experimentá-la já não conseguia encontrar dióspiros em lado nenhum. Agora, um ano depois, não podia deixar passar a oportunidade - e julgo que valeu a pena.

Os dióspiros são suficientemente doces para complementarem bem a panna cotta (eu gosto de fazê-la pouco doce, quase neutra, para que o sabor venha todo do molho que se junta por cima). E depois há a conjugação com a canela e as nozes, que complementam na perfeição o sabor desta fantástica fruta de Outono. Experimentem - é uma sobremesa extremamente fácil e rápida de fazer e fica muito saborosa.


Ingredientes:

500ml de natas
2 colheres de sopa de açúcar
3 folhas de gelatina
2 ou 3 dióspiros (depende do tamanho)
canela
nozes


Preparação:
Coloque as folhas de gelatina de molho em água fria. Deite as natas e o açúcar num tacho e leve a lume brando sem deixar ferver. Enquanto as aquece, escorra bem as folhas de gelatina e junte-as às natas, mexendo com uma colher de pau até se desfazerem. Deite um pouco de canela e misture também (não muito - a ideia não é dar sabor, mas apenas dar alguma cor à panna cotta - a nata vai ficar pintalgada de castanho). Quando as natas estiverem quase a ferver, retire do lume. Deite em formas individuais (eu usei umas formas de alumínio que se compram em supermercado, porque torna fácil desenformar a panna cotta para um prato na altura de servir, mas pode optar por outras soluções). Leve ao frigorífico algumas horas (se possível de um dia para o outro).

Para a cobertura, deite a polpa dos dióspiros para um copo triturador e... triture! Passe num passador para um recipiente. Pique também as nozes e reserve.

Na altura de servir, cubra a panna cotta com a polpa de dióspiro, polvilhe com canela e deite algumas nozes trituradas por cima. E já está!!

23 setembro 2012

Depois dos macarons de chocolate preto, experimentei agora fazer de limão, sempre seguindo o método do livro do Pierre Hermé, tal como descrevi na receita anterior. Resultou na perfeição. Fazer macarons pode ser muito difícil ao início, enquanto não acertamos todos os pequenos pormenores que podem estragar o resultado final - mas assim que se apanha o jeito, passa a ser quase fácil!


Ingredientes (entre 30 a 40 macarons):


Para os macarons:
110g de claras de ovo, divididas em dois recipientes (55g cada)
150g de amêndoa em pó
150g de açúcar
150g de açúcar em pó
37,5g água
5g de corante alimentar amarelo (eu uso corante em gel)

Para o recheio de limão:
112g de ovos (gema e clara)
120g de açúcar
4g de raspa de limão
80g de sumo de limão
175g de manteiga sem sal
50g de amêndoa em pó


Preparação:
Prepare o recheio de limão de véspera, começando por esfregar bem o açúcar e a raspa de limão entre as mãos, para libertar o aroma do limão e misturar bem ambos os ingredientes. Deite a mistura numa tigela e junte-lhe o sumo de limão e os ovos. Coloque sobre uma panela com água ao lume e bata com uma vara de arames enquanto controla a temperatura com um termómetro de açúcar. Quando chegar a 84º retire do lume e deixe arrefecer até aos 60º. Nessa altura junte a manteiga cortada em pedaços e volte a bater com a vara de arames até obter um creme uniforme - bata agora com uma batedeira eléctrica durante cerca de 10 minutos.

Deite o creme num pirex, cubra com película aderente e leve ao frigorífico.

No dia seguinte, prepare os macarons exactamente da forma que indicámos na outra receita. O que se segue é uma versão mais simples - vale a pena ler a outra receita, que tem mais alguns detalhes e conselhos. Não se esqueça que deve usar claras envelhecidas. No entanto, se se tiver esquecido de as preparar com antecedência, pode levá-las ao microondas por cerca de 15 segundos em potência média. Não é exactamente o mesmo, mas é suficientemente próximo para 'desenrascar'.

Comece então por peneirar o açúcar em pó e as amêndoas em pó para uma tigela. Misture o corante num dos recipientes de claras e deite sobre a mistura de açúcar e amêndoas sem mexer. Aqueça o açúcar e a água em lume médio até chegar aos 115º - nessa altura comece a bater a segunda porção de claras com uma batedeira. Assim que o açúcar chegar a 118º, sem parar de bater as claras, junte-lhe o açúcar em fio, batendo sempre durante cerca de 1 minuto. Reduza a batedeira para velocidade média e bata mais 2 minutos. Pare, deixe arrefecer até aos 50º, e deite sobre a mistura de açúcar, amêndoa em pó e claras com corante.

Misture as claras com o açúcar e a amêndoa, do centro para o lado da taça, rodando a taça enquanto mistura. Este ponto é crítico - misture até obter uma massa brilhante, que escorre da espátula. Se a massa formar um bico ao cair, esse bico deve desaparecer passados uns segundos. Mas atenção - não bata demasiado, para a massa não ficar líquida de mais.

Com a ajuda de um saco de pasteleiro, faça pequenos montinhos de massa de cerca de 3,5cm de diâmetro, com 2cm de espaço entre eles, sobre um tabuleiro forrado a papel de forno. No final, bata com o tabuleiro sobre o tampo da mesa para libertar bolhas de ar da massa. Deixe repousar cerca de 30 minutos.

Aqueça o forno a 180º em modo ventilado. O ideal é que o forno esteja com uma temperatura uniforme, sem fontes de calor extremas por cima ou por baixo. Se tal não for o caso, terá de ajustar o tempo, e se calhar só mesmo com tentativa e erro. É muito fácil estragar macarons com tempos/temperaturas de cozedura errados!

Leve os tabuleiros ao forno, passados 8 minutos abra e fecha a porta do forno para libertar o vapor. Repita 2 minutos depois e retire do forno mais 2 minutos depois. Deixe os macarons sobre o papel mas fora do tabuleiro. Assim que arrefecerem, retire-os com cuidado.

Entretanto retire o recheio do frigorífico (o ideal será retirá-lo antes de começar toda esta preparação, para não estar demasiado frio nesta altura). Deite a amêndoa em pó sobre o recheio e misture bem com uma colher. Deite o recheio num saco de pasteleiro e comece a rechear os macarons.

Não se esqueça - depois de prontos leve-os ao frigorífico de um dia para o outro. E retire-os 1 ou 2 horas antes de os comer. A sério, faz toda a diferença - ficam molhadinhos por dentro e perfeitos.

Boa sorte!

14 julho 2012

O livro "The Family Meal - Home Cooking With Ferran Adriá" é uma pequena jóia. É um livro de cozinha do grande cozinheiro espanhol, é um livro de receitas do seu restaurante El Bulli, mas ao mesmo tempo... não é bem. O que Adriá reúne neste volume são as receitas da cozinha do El Bulli para as refeições da equipa do restaurante. Ou seja, comida simples, organizada em menus completos, mas com grandes ideias e pratos bastante saborosos. Tudo acessível mas com algumas surpresas pelo meio.
Adoro o livro. E esta receita é um bom exemplo - asas de frango e cogumelos. Nada mais simples. E no entanto, sai um prato ótimo, saboroso, e ideal para qualquer almoço de fim-de-semana. Experimentem e verão.


Ingredientes (2 pessoas):
6 asas de frango
120g de cogumelos shimeji (costumo encontrá-los com alguma facilidade no Continente aqui perto de casa; se não encontrarem substituam por outros)
10 dentes de alho
1 folha de louro
1 ramo de tomilho fresco
4 colheres de sopa de vinho branco
50 ml de água
azeite
sal
pimenta


Preparação:
Corte as pontas das asas (deite-as fora), e corte novamente pela articulação, separando cada asa em dois pedaços. Tempere com sal e pimenta.

Leve uma frigideira a lume médio com azeite e, assim que este estiver quente, deite-lhe as asas. Deixe-as cozinhar, virando-as de vez em quando. Entretanto aproveite para cortar a base dos cogumelos (os shimeji têm geralmente uma base única a partir da qual saem os vários cogumelos - corte a base e descarte-a, separando os cogumelos). Descasque os alhos e corte-os em fatias.

Assim que as asas estiverem douradas (cerca de 30 minutos), junte-lhes o alho e cozinhe por mais cerca de cinco minutos. Nessa altura junte o louro, o tomilho e o vinho branco. Por esta altura já deve ter um aroma óptimo a encher a cozinha! Levante o lume para que o vinho reduza um pouco, e junte os cogumelos. Cozinhe por mais cerca de dois minutos. Finalmente, deite a água, cozinhe mais cinco minutos e estará pronto a servir!

13 junho 2012


Esta omeleta é ideal para dietas “low carb” como a South Beach. Os ovos dão saciedade para toda a manhã mas sempre achei que o travo forte de ovo logo pela manhã era demais para mim. A cozinheira inglesa Julia Child juntava um pouco de água para fazer as suas omeletas e eu passei a juntar leite nesta versão, cortando bastante a intensidade do ovo.

É claro que só o leite parecia pouco, e fui adicionando ervas aromáticas diversas e algum fiambre, até que perdi a vergonha e agora faço com finíssimas fatias de paio de porco preto – não é propriamente dietético, mas sabe mesmo bem!

Use uma frigideira pequena de fundo grosso. Tem de ser de fundo grosso. Deite no lixo as suas frigideiras fininhas que lhe queimam a comida toda e invista em algo com pelo menos 1 cm de espessura, que em caso de guerra possa ser classificada como armamento pesado para arremesso a tropas inimigas. A distribuição de calor é muito melhor e a comida dificilmente irá queimar-se ou pegar-se ao fundo.

Ingredientes:
2 ovos grandes
50 a 70 ml de leite (cerca de ¼ a 1/3 de copo)
7 a 10 folhas de ervas aromáticas diversas (hortelã, salva, manjericão, poejo, etc.)
Algumas fatias de paio de porco preto
Manteiga q.b.


Preparação:

Derreta um pouco de manteiga na frigideira. Bata os ovos numa taça com o leite deixando mal mexido – sabe bem encontrar variedade de textura e sabor na omelete. Leve a lume médio na frigideira. Corte as fatias de paio de porco preto (ou use fiambre…) e parta as folhas de ervas aromáticas a meio. Quando a omelete muito pouco líquida espalhe por cima as ervas e o paio. Deixe secar um pouco e com um golpe de habilidade ou com 2 garfos dobre a omeleta a meio e deixe ganhar alguma cor.

Sirva de imediato para que os aromas das ervas não se percam. É delicioso comer garfadas de sabor inesperadamente diferente – a menta refrescante, depois a salva exótica, o manjericão, e outra vez a hortelã... Se lhe apetecer um pouco de indulgência culinária pela manhã, junte também umas lascas de parmesão.
 
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