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03 novembro 2013


Já tinha ficado a dever à generosidade do Paulo e da Maria, grandes amigos de Évora, a receita - e os ingredientes - da sopa de beldroegas que aqui coloquei no ano passado; agora junto nova sopa e novo agradecimento. Neste fim-de-semana tivemos o prazer de ter estes amigos cá em casa, carregados com tudo o que é preciso para fazer uma genuinamente alentejana sopa de feijão com mogango.

Antes de mais, e para quem não sabe, mogango é o nome alentejano de um tipo de abóbora (há quem indique na Internet que é o nome dado localmente à abóbora-menina, mas não posso confirmar se está correcto). E esta sopa é... uma delícia! E não se deixem enganar por ser uma sopa: isto é uma refeição completa. Vai-se petiscando enquanto se cozinha - pão, queijo, azeitonas... -, abre-se um vinho, conversa-se, come-se a sopa e está feito um almoço perfeito!

Uma nota final antes da receita propriamente dita: o Paulo teve o cuidado de me dizer que há quem faça a sopa esmagando a abóbora em vez de a deixar em pedaços como se vê na foto. Como em todas as receitas tradicionais, esta terá tantas variantes quantas as pessoas que a fazem, e esta é a receita que o Paulo conhece de família. Eu não conheço outra mas garanto que esta é excelente assim, como está!


Ingredientes (éramos quatro e ainda sobrou... ):
1 lata de 400g de feijão manteiga (nota: a receita tinha originalmente feijão em lata, mas é preferível comprar o feijão e cozê-lo em casa, de preferência em panela de pressão, para aproveitar a água, que é muito mais saborosa. Foi o que fizemos neste caso, e refiro isso na receita. Neste caso, o feijão deve ser deixado de molho durante a noite)
1,5kg de mogango
3 dentes de alho
1 molho grande de coentros
1 folha de louro
2 colheres de sopa de farinha
colorau
azeite
sal
vinagre


Preparação:
Se tiver comprado feijão cru, coloque-o numa panela de pressão, junte água (foi a olho - entre 1 a 1,5 litros) e sal e deixe cozinhar por cerca de 20 minutos. No final não deite a água fora!

Entretanto pique os alhos, corte o mogango aos cubos e pique os coentros. Reserve.

Cubra o fundo de um tacho com azeite, leve ao lume e junte-lhe os alhos picados e a folha de louro. Deixe refogar um pouco e junte o mogango e os coentros, misturando bem com uma colher de sal. Deite um pouco de colorau, tempere com sal e deixe cozinhar em lume brando. O mogango vai perdendo água com a cozedura, o que evitará que pegue ao fundo, mas ainda assim mexa de vez em quando com a colher de pau, mas com cuidado para não desfazer a abóbora - quando notar que esta já começa a estar cozida, junte o feijão escorrido e misture, deixando apurar.

Entretanto, dissolva a farinha (é mais fácil se a peneirar) na água de cozedura do feijão (ou em água simples, se tiver usado feijão de lata), para a engrossar. Deite a água no tacho até cobrir o feijão e o mogango. Para finalizar, deite um pouco de vinagre, mexa, e prove. Se necessário corrija o sal e o vinagre.

Está pronto a servir - bom apetite!

02 setembro 2013


Antes de mais, um aviso: este bolo é uma bomba. Uma verdadeira bomba. Mas é extraordinariamente bom - e simples de fazer! A receita é da Donna Hay, publicada na revista Living Etc, e publicada aqui sem grandes alterações; em vez de licor de café usei mesmo café - de resto mantive as quantidades e os ingredientes, embora pudesse perfeitamente reduzir o açúcar, na base e no merengue. Fica para a próxima, porque de certeza que o voltarei a fazer!


Ingredientes:
Para o bolo:
200g de chocolate negro
250g de manteiga sem sal
150g de açúcar
175g de açúcar mascaado
4 ovos
200g de farinha sem fermento
2 colheres de sopa de cacau em pó
1 colher de sopa de café (fiz um expresso e usei parte)

Para o merengue:
4 claras
220g de açúcar
1 colher de sopa de maisena
2 colheres de chá de vinagre de vinho branco
1 colher de chá de café (usei o mexmo expresso), mais um pouco para decorar


Preparação:
Comece por ligar o forno a 160º. De seguida corte o chocolate em pedaços (uma faca de pão é ideal para isto) e coloque-o num tacho pequeno, juntamente com a manteiga em pedaços. Leve a lume muito brando, mexendo até derreter e misturar bem (cuidado - se o chocolate queimar não resta nada senão ir para o lixo!). Reserve.

Numa tigela junte os açúcares, os ovos, a farinha, o cacau e o café. Deite a mistura de chocolate e manteiga e mexa até combinar bem - a massa está pronta. Unte bem uma forma circular com manteiga, deite-lhe a massa e leve ao forno por cerca de 30 minutos ou até um palito espetado ficar seco. Retire do forno e deixe arrefecer na forma enquanto prepara o merengue. De caminho ligue o grill do forno - vai precisar dele no final.

Com uma batedeira bata as claras até formar uns picos suaves. Vá juntando o açúcar a pouco e pouco, batendo sempre, engrossando o merengue. Finalmente, junte a maizena, o vinagre e o café e bata até ficar bem combinado. O merengue está pronto.

Desenforme o bolo (mas mantendo-o num prato que possa ir ao forno - pode ser a base da forma) e, com uma espátula, cubra-o com o merengue. Leve ao forno, sob o grill, até o merengue ficar dourado (é rápido - cuidado para não queimar). Deite um pouco de café por cima e está pronto a servir!

12 maio 2013



Já deve ser difícil para Jamie Oliver inventar conceitos novos para programas de televisão e livros. Um dos mais recentes propunha, a cada programa, uma ementa para uma refeição completa que se podia fazer em 30 minutos. O programa resultava bem, mas o livro respectivo é muito mais confuso - para cumprir os 30 minutos é necessário fazer todos os pratos ao mesmo tempo, saltando de passos de uma receita para os das outras, o que torna tudo um pouco mais confuso quando só queremos fazer um dos pratos. Ainda assim é um livro interessante, principalmente porque apresenta pratos simples, com truques para acelerar a sua feitura, e que podem servir de boa inspiração.

Este cheesecake é uma das receitas do livro e é bastante simples de preparar. Simples, mas eficaz: os sabores (bolacha, limão, framboesa, mascarpone) combinam muito bem e é uma sobremesa bonita e que causa impacto no final de um jantar.


Ingredientes:
50g de manteiga
50g de avelãs
8 bolachas digestivas
1 limão
1 frasco de lemon curd (claro que se pode fazer lemon curd caseiro - e até temos receita aqui no blog -, mas já se encontram por cá alguns de muito boa qualidade, o que acelera a preparação da receita; é suposto ser um cheesecake "rápido"!)
250g de queijo mascarpone
150g de framboesas
extracto de baunilha
leite
açúcar em pó
chocolate negro, para decorar


Preparação:
Se conseguir comprar avelãs já descascadas, óptimo. Caso contrário, leve-as ao forno uns minutos, retire-as e deixe arrefecer. Envolva-as em papel de cozinha e esfregue-as entre as duas mãos. A pele deverá sair facilmente.

Triture as bolachas e as avelãs grosseiramente - melhor maneira: coloque as bolachas e as avelãs fechadas dentro de um pano de cozinha e bata-lhes com um rolo da massa. É terapêutico! De seguida, derreta a manteiga numa frigideira e junte a bolacha e as avelãs. Misture bem e junte a raspa da casca do limão. A base do cheesecake está feita - deite-a em taças ou copos de servir, calcando bem no fundo de cada copo.

De seguida, coloque em cada copo uma boa colherada de lemon curd sobre a base de bolacha, e, sobre o lemon curd, algumas framboesas.

Agora o creme de mascarpone - deite o queijo numa tigela, junte umas gotas de extracto de baunilha e um fio de leite. Junte um pouco de açúcar e misture com uma colher até ficar cremoso. Se necessário junte mais leite até obter a consistência certa ou mais açúcar se quiser mais doce (tenha em atenção a doçura do lemon curd!). Assim que estiver feito, deite uma porção generosa em cada copo, sobre as framboesas. Termine raspando o chocolate negro sobre o creme. Está pronto a servir!

21 abril 2013



Aviso: quem estiver de dieta passe à frente por favor. Sim, isto são beringelas, mas são fritas. E com queijo - muito queijo. Então porquê fazê-las? Porque são óptimas! As melanzane alla parmigiana (assim chamadas por levarem queijo parmesão, e não por serem da região de Parma; na verdade é um prato típico do sul de Itália) servem de entrada ou de prato principal, e são um prato sublime. Não é o mais rápido dos pratos italianos, mas é simples de fazer. E como se pode preparar de véspera, torna-se ideal para servir num almoço ou jantar com amigos.


Ingredientes (para um tabuleiro grande, chega e sobra para 4 pessoas):

4 beringelas
2 queijos mozzarella
queijo parmesão
500g polpa de tomate
1 cebola pequena
2 dentes de alho
algumas folhas de manjericão
sal
açúcar
farinha
2 ovos


Preparação:
Lave as beringelas e corte-as às rodelas (cortei a olho, mas talvez com cerca de meio centímetro ou um pouco mais). Coloque as rodelas num passador grande, às camadas, colocando sal abundante entre camadas. No final ponha uma taça pesada por cima, para fazer pressão. Deixe repousar durante no mínimo meia hora. Este passo é necessário para que as beringelas larguem o líquido amargo que contêm.

Passado todo o tempo, lave bem as beringelas e reserve-as. Aqueça um pouco de óleo numa frigideira ou wok (pessoalmente, prefiro o wok). Coloque um pouco de farinha numa tigela; noutra coloque os dois ovos, batidos com um garfo. Assim que o óleo estiver quente, passe cada rodela de beringela pela farinha e pelo ovo e frite-as. Coloque-as num prato, sobre papel de cozinha absorvente. Reserve.

Entretanto prepare o molho de tomate: coloque numa panela um fio de azeite, a cebola cortada em quartos ou oitavos e os dentes de alho. Deixe alourar. Junte a polpa de tomate, o manjericão e uma colher de chá de açúcar (para cortar a acidez do tomate) e cozinhe durante uns minutos. Assim que estiver pronto, pegue na varinha mágica e triture (esta ideia de colocar a cebola e o alho quase inteiros, triturando apenas no fim, é uma sugestão de uma amiga que nos passou a sua versão desta receita, e que funciona bem - e acelera a feitura do molho).

Agora é só montar o prato. Primeiro ligue o forno a 190º. De seguida, deite um pouco de molho de tomate no fundo de um pirex e faça uma camada de rodelas de beringela por cima. Sobre as beringelas deite pedaços de mozzarella e paremesão ralado. Repita com as mesmas camadas: um pouco de molho, rodelas de beringela, mozzarella e parmesão. Repita até acabar os ingredientes.

No final leve ao forno por cerca de meia-hora e está pronto a servir!

07 fevereiro 2013


Por força de reuniões telefónicas semanais marcadas a horas complicadas, é difícil conseguir ter tempo para almoçar à quinta-feira. De início resolvi o problema comprando sandes no bar, que depois comia ao telefone durante as reuniões, ou na copa se a primeira reunião acabasse mais cedo. Entretanto achei que se era para comer sandes, então mais valia fazê-las eu em casa - seria mais saboroso e mais divertido. Das que já experimentei, esta foi a que me saiu melhor - o aioli (enfim, falsificado porque faço-o a partir de maionese já feita em vez de me aventurar a fazer um aioli de raiz...) tem um sabor forte, que complementa muito bem com os cogumelos e a mozzarella. Bem melhor que as sandes do bar!


Ingredientes (meio a olho, porque dependem sempre do tamanho do pão e das preferências pessoais - uma sandes é uma sandes, não precisa de grande técnica!):

4 cogumelos shiitake
1 queijo mozzarella
maionese
um punhado de tomates secos
um punhado de folhas de manjericão (também já a fiz com cebolinho e resultou bem!)
1 dente de alho
sumo de limão
azeite
1 baguete


Preparação:

Para fazer o aioli deite num robô de cozinha um pouco de maionese, o dente de alho esmagado, umas gotas de sumo de limão, um fio pequeno de azeite, os tomates secos e o manjericão. Triture tudo. Prove. Se lhe parecer que podia ter mais um pouco de qualquer um dos ingredientes, junte-o e triture de novo - não há regras, tem é de lhe saber bem!

De seguida limpe os cogumelos, deite-lhes um pouco de azeite e leve-os a grelhar numa frigideira grill, de ambos os lados, até estarem com aquele ar apetitoso de cogumelos grelhados!

Agora abra a baguete, separando totalmente ambas as metades. Sobre a metade inferior coloque os cogumelos. Por cima ponha a mozzarella cortada em fatias. Barre generosamente a metade superior do pão com o aioli, feche a sandes e está pronta a comer!

19 janeiro 2013


Sempre que posso, faço questão de envolver na cozinha as crianças cá de casa. Seja só a mostrar e explicar o que estou a fazer, ou mesmo a pedir-lhes ajuda e a deixá-los meter as mãos na massa (por vezes literalmente). Ou pelo menos com o mais velho, que o mais novo ainda não tem idade para se interessar muito.

Daí que esta receita me tenha interessado. Foi-me passada pela Ana, uma amiga que também tem duas crianças em casa (aliás, uma delas nascida exactamente no mesmo dia que um dos meus rapazes), e que me garantiu que era uma receita óptima para fazer com crianças. Experimentei hoje e tenho de concordar: foi um sucesso. Aliás, não só com as crianças, mas também com os adultos. Mais ainda porque eu adoro bolos (e doces, e sobremesas em geral...) com coco.


Ingredientes:
125g de açúcar
1 queijo fresco grande
4 gemas
1,5 colher de sopa de farinha
100g de coco


Preparação:
Junte o açúcar, o queijo, as gemas e a farinha num tacho. Leve ao lume (lume médio), mexendo com uma colher de pau até começar a engrossar. Retire e deixe arrefecer.

Assim que estiver frio, junte o coco ralado, mexendo bem. Com ou sem ajuda de crianças, pegue em pedaços pequenos da massa e molde em bolinhas. Coloque num tabuleiro de forno coberto com uma folha de papel vegetal. Leve ao forno a 180º por cerca de 10 minutos ou até estarem cozidos. E é só isto!

30 dezembro 2012

Se alguém ainda achar que a comida vegetariana é desinteressante e sem sabor, este prato é ideal para mudar de vez essa ideia.

A receita vem do livro "More From The Accidental Vegetarian", de Simon Rimmer, de quem já aqui falei uma ou outra vez. É uma receita curiosa, porque à partida parece ser só um prato de... grão e batata. Mas quando se prova é surpreendente, porque é muito mais do que isso - os cominhos, o aipo, o pimento, o piri-piri... todos os ingredientes contribuem para dar um grande sabor ao prato. Apetece repetir e repetir...

(Nota: a receita de Rimmer tinha batatas normais, mas a batata-doce fica aqui muito bem!)


Ingredientes (4 pessoas):

Para as batatas:
8 batatas-doces
1 dente de alho
1 colher de sopa de sementes de cominho
cominhos em pó
sal
pimenta
azeite


Para o grão:
cerca de 800g de grão enlatado escorrido
200ml de crème fraîche
1 cebola vemelha
1 pimento vermelho
3 talos de aipo
1 dente de alho
2 piri-piris pequenos
1 colher de sopa de molho de tomate
1 colher de chá de pimentão
1 mão-cheia de folhas de espinafre 'baby'
algumas folhas de erva-cidreira fresca
azeite
sal
pimenta


Preparação:
Comece por descascar e cortar em cubos as batatas-doces. Ligue o forno a 180º em modo ventilado. Coloque as batatas num tabuleiro de forno, regue com azeite, tempere com o sal e a pimenta, misture bem, envolvendo as batatas no azeite e leve a assar no forno.

Passados dez minutos polvilhe com as sementes de cominho e um pouco de cominho em pó. Junte o dente de alho esmagado e leve novamente ao forno por mais cerca de um quarto de hora ou até as batatas estarem assadas (pode deixar mais tempo se gostar delas mais douradas/tostadas).

Agora o grão - pique a cebola e os talos de aipo. Limpe o pimento e os piri-piris de todas as sementes e pique-os também. Deite um fio de azeite numa frigideira grande, leve ao lume e junte a cebola, o pimento, o aipo, os piri-piris e o dente de alho esmagado. Deixe cozinhar por cerca de dez minutos. Nessa altura junte o pimentão e o puré de tomate. Mexa bem, ligando todos os ingredientes e deixe cozinhar mais cinco minutos. Junte o grão e o crème fraîche. Misture tudo muito bem. Tempere de sal e pimenta e deixe cozinhar um ou dois minutos. Prove e corrija os temperos se necessário. Finalmente adicione as folhas de espinafre e a erva-cidreira picada. Misture novamente, mais um ou dois minutos e está pronto!

Sirva o grão com as batatas por cima, acompanhando com um bom vinho!

20 dezembro 2012


Os ovos têm 3 papéis muito claros num bolo – dão sabor, ligam a massa, e ajudam o bolo a crescer no forno, criando aquela textura fofa. Um bolo sem ovos é um desafio, e portanto parti ao desafio de fazer um bolo vegan que parecesse tanto quanto possível com um bolo normal.

Para ligar a massa usei cenoura ralada. Tem muita humidade, um sabor bastante adocicado e rico, e as tiras finíssimas da cenoura ralada funcionam quase como fibras entrecruzadas e molhadas a ligar os ingredientes secos. Para trazer mais humidade, usei o sumo de uma laranja e azeite.

Enriqueci os aromas com raspa de laranja e de limão além de ter usado açúcar mascavado, e abusei do fermento para o bolo crescer alguma coisa. As sementes de papoila deram-lhe uma certa graça e notam-se levemente quando se trinca.

Por fim, usei algumas colheradas de “no egg”, um substituto artificial de ovo, mas não creio que tenha feito grande impacto. Eu diria que podem saltar o “no egg”…


Ingredientes:
350 g cenoura ralada
350 g açúcar mascavado
350 g farinha tipo 55
120 ml de azeite
3 colheres chá de fermento (ex: pó royal)
1  colher chá de canela
Sumo e raspa de 1 laranja grande
Raspa de 1 limão
4 colheres de chá de “no egg” diluídas em  10 colheres de sopa de água (opcional)
2 colheres de sopa de sementes de papoila (opcional)


Preparação:
Misturar a farinha, o açúcar, o fermento e a canela. Adicionar a cenoura, o azeite, o sumo e raspa de laranja, a raspa de limão, as sementes de papoila e o “no egg” diluído em água. Bater bem os ingredientes e levar ao forno em forma untada com azeite, a 170 graus por 50 minutos. Se usar uma forma de tabuleiro o bolo poderá demorar menos tempo.

Ficou muito bom. A repetir.

Nota: num regime de alimentação vegan não se come nada que tenha origem animal, seja carne, peixe, ovos, leite, mel, etc.

05 dezembro 2012


Eu sei, já é a terceira receita de macarons em pouco tempo. Mas depois de se acertar com o jeito, é irresistível experimentar novos sabores! Desta vez arrisquei mais quantidade - consegui encher cinco tabuleiros e o resultado foi óptimo. O sabor da framboesa combina muito bem com a amêndoa dos macarons - e a sua acidez corta o doce e equilibra muito bem o conjunto.

Mais uma vez - se isto lhe sair mal, não desespere. O mais difícil é mesmo apanhar o jeito, a partir daí começa a tornar-se bem mais fácil do que parece!


Ingredientes (entre 70 a 80 macarons):

Para os macarons:
220g de claras de ovo, divididas em dois recipientes (110g cada)
300g de amêndoa em pó
300g de açúcar
300g de açúcar em pó
75g água
22g de corante cor-de-rosa

Para o recheio de framboesa:
400g de chocolate branco
500g de framboesas frescas ou congeladas (usei congeladas)
200g de framboesas frescas
200g de água
100g de açúcar


Preparação:

Comece pelo recheio. Este tem duas partes - um creme de chocolate branco com framboesa, e framboesas em calda. Preparam-se ambos com alguma antecedência e separadamente.

Leve os 200g de água e os 100g de açúcar ao lume até ferver. Deite nessa calda os 200g de framboesas frescas, espere até que ferva novamente, retire do lume e reserve. Assim que arrefecer coloque no frigorífico a macerar.

De seguida, deite os 500g de framboesas para um robot de cozinha ou copo misturador e triture-as até obter uma pasta. Deite a pasta num tacho e ferva. A seguir corte o chocolate branco em pedaços pequenos (uma faca de cortar pão ajuda muito), deite-os numa tigela e coloque-a sobre um tacho com água de forma a que a tigela não toque na água. Leve ao lume e vá mexendo o chocolate até este derreter. Deite a pasta quente de framboesas sobre o chocolate, um terço de cada vez, e misture bem até obter um creme (a ganache). Deite num pirex, cubra com película aderente (a película deve tocar no creme), deixe arrefecer e leve ao frigorífico.

Agora os macarons - a receita é semelhante às duas que já aqui publicámos e vale a pena lê-las se for a primeira vez que os tenta fazer, principalmente a primeira, que é muito mais detalhada. Resumindo (mas não muito): peneire o açúcar em pó e as amêndoas em pó para uma mesma tigela. Misture o corante num dos recipientes de claras e deite sobre a mistura de açúcar e amêndoas sem mexer. Ponha de lado - já lá voltamos. Aqueça o açúcar e a água em lume médio. Assim que chegar aos 115º comece a bater a segunda porção de claras. Quando o açúcar chegar aos 118º, sem parar de bater as natas, deite-lhes o açúcar em fio, batendo sempre durante mais um minuto. Reduza a batedeira para velocidade média, bata mais dois minutos e páre. Acabou de fazer um merengue italiano. Deixe arrefecer até aos 50º e deite sobre a mistura de açúcar, amêndoa em pó e claras com corante.

Mexa bem com uma espátula de borracha, do centro para os lados da taça, rodando-a enquanto mistura. Misture até obter uma massa brilhante, que escorra da espátula. Ao escorrer a massa para a taça, a massa deverá voltar à sua forma em poucos segundos, caso contrário terá de mexer mais um pouco. Cuidado para não passar o ponto (eu sei que é complicado saber qual o ponto certo - é um dos pontos difíceis dos macarons... com tentativa e erro chega-se lá, a sério!).

Com a ajuda de um saco de pasteleiro faça montinhos de massa de cerca de 3,5cm de diâmetro com cerca de 2cm de espaço entre eles, sobre um tabuleiro forrado a papel de forno. No final bata com o tabuleiro sobre a bancada para libertar eventuais bolhas de ar. Deixe repousar cerca de 30 minutos.

Aqueça o forno a 180º em modo ventilado para obter uma temperatura o mais uniforme possível. Leve os macarons ao forno. Passados oito minutos abra e feche a porta para libertar humidade. Repita dois minutos depois e retire do forno mais dois minutos depois (tempo total = doze minutos). Deixe os macarons sobre o papel, mas retire do tabuleiro ou continuarão a cozer. Assim que arrefecerem retire-os do papel com cuidado.

Entretanto retire o recheio e as framboesas do frigorífico. Coloque o recheio num saco de pasteleiro e deite um pouco sobre um dos macarons. Com uma colher pequena, ponha um pouco de framboesa em calda sobre o recheio (cuidado com a calda - não molhe demasiado o macaron!). Cubra com outro macaron. Faça o mesmo com os restantes, leve ao frigorífico até ao dia seguinte - e estão prontos!

29 novembro 2012

Confesso que fazer pastéis de nata em casa era uma ambição antiga, mas só há pouco tempo é que experimentei fazer. Hoje foi a terceira tentativa e acho que estão no ponto certo. Das duas vezes anteriores havia sempre algo a correr mal - ou a massa estava muito grossa, ou o recheio cozia demais, ou ambos... -, mas desta vez ficaram óptimos.

Não inventei com a receita - fui buscá-la à "Bíblia", o "Cozinha Tradicional Portuguesa" de Maria de Lourdes Modesto, com uma única diferença: não fiz a minha própria massa folhada. Por dois motivos: não me apeteceu (quem confessa não merece castigo!) e porque se a fizesse teria muito maior consciência de como é feita e da quantidade de manteiga que leva, e acho que me sentiria muito mais culpado em cada pastel que comesse. Assim sendo, olhos que não vêem...


Ingredientes (cerca de 12 pastéis):
500g de massa folhada
5dl de natas
8 gemas
2 colheres de chá de farinha
200g de açúcar
casca de 1 limão


Preparação:

Há duas formas de preparar a massa dos pastéis. A primeira, e mais simples, é estender a massa até ficar bem fina e cortar círculos de massa um pouco maiores do que as formas (uso uma chávena larga para ajudar). Colocam-se os círculos nas formas e ajusta-se com os dedos até forrarem bem a forma. A massa não deve ficar muito grossa.

A segunda forma é esticar bem a massa e enrolá-la sobre ela própria fazendo um rolo comprido. De seguida, cortam-se pedaços de rolo com 2 a 3 cm, colocam-se nas formas ao alto e , fazendo pressão com os dedos, esmagam-se até forrar as formas, mais uma vez garantindo que a massa não fica demasiado grossa (mas cuidado para não a rasgar!)

O segundo método parece-me melhor para ter uma massa mais "folhada" e estaladiça, mas conseguem-se bons resultados com ambos.

De seguida, o creme: Deite as natas para um tacho e junte-lhe as gemas. Mexa um pouco. Com a ajuda de um passador, peneire o açúcar e a farinha sobre a mistura e mexa novamente. Junte finalmente a casca do limão. Leve a lume médio e vá mexendo sempre até começar a engrossar ligeiramente. Cuidado para não cozer demais, senão o creme começará a engrossar demasiado e a passar do ponto certo!

Deite o creme nas formas de massa e leve a forno muito quente. A Maria de Lourdes Modesto indica um intervalo de 250º a 300º. Eu usei o máximo do meu forno, 275º, e resultou bem. Vá controlando a cozedura a olho, não demora mais que 10 a 15 minutos. A nata vai "inchar" - não se preocupe, ela volta ao lugar depois de sair do forno. Quando a nata começar a ficar tostada no topo desligue o forno e retire as formas. Deixe arrefecer e desenforme com a ajuda de uma faca.

Se gostar, polvilhe com canela e açúcar em pó - está feito!




14 outubro 2012


Esta é capaz de ser a minha receita que mais tempo demorou a concretizar. Tive a ideia o ano passado, na época dos dióspiros. Pensei a receita toda, incluindo o empratamento, mas quando finalmente me decidi a experimentá-la já não conseguia encontrar dióspiros em lado nenhum. Agora, um ano depois, não podia deixar passar a oportunidade - e julgo que valeu a pena.

Os dióspiros são suficientemente doces para complementarem bem a panna cotta (eu gosto de fazê-la pouco doce, quase neutra, para que o sabor venha todo do molho que se junta por cima). E depois há a conjugação com a canela e as nozes, que complementam na perfeição o sabor desta fantástica fruta de Outono. Experimentem - é uma sobremesa extremamente fácil e rápida de fazer e fica muito saborosa.


Ingredientes:

500ml de natas
2 colheres de sopa de açúcar
3 folhas de gelatina
2 ou 3 dióspiros (depende do tamanho)
canela
nozes


Preparação:
Coloque as folhas de gelatina de molho em água fria. Deite as natas e o açúcar num tacho e leve a lume brando sem deixar ferver. Enquanto as aquece, escorra bem as folhas de gelatina e junte-as às natas, mexendo com uma colher de pau até se desfazerem. Deite um pouco de canela e misture também (não muito - a ideia não é dar sabor, mas apenas dar alguma cor à panna cotta - a nata vai ficar pintalgada de castanho). Quando as natas estiverem quase a ferver, retire do lume. Deite em formas individuais (eu usei umas formas de alumínio que se compram em supermercado, porque torna fácil desenformar a panna cotta para um prato na altura de servir, mas pode optar por outras soluções). Leve ao frigorífico algumas horas (se possível de um dia para o outro).

Para a cobertura, deite a polpa dos dióspiros para um copo triturador e... triture! Passe num passador para um recipiente. Pique também as nozes e reserve.

Na altura de servir, cubra a panna cotta com a polpa de dióspiro, polvilhe com canela e deite algumas nozes trituradas por cima. E já está!!

23 setembro 2012

Depois dos macarons de chocolate preto, experimentei agora fazer de limão, sempre seguindo o método do livro do Pierre Hermé, tal como descrevi na receita anterior. Resultou na perfeição. Fazer macarons pode ser muito difícil ao início, enquanto não acertamos todos os pequenos pormenores que podem estragar o resultado final - mas assim que se apanha o jeito, passa a ser quase fácil!


Ingredientes (entre 30 a 40 macarons):


Para os macarons:
110g de claras de ovo, divididas em dois recipientes (55g cada)
150g de amêndoa em pó
150g de açúcar
150g de açúcar em pó
37,5g água
5g de corante alimentar amarelo (eu uso corante em gel)

Para o recheio de limão:
112g de ovos (gema e clara)
120g de açúcar
4g de raspa de limão
80g de sumo de limão
175g de manteiga sem sal
50g de amêndoa em pó


Preparação:
Prepare o recheio de limão de véspera, começando por esfregar bem o açúcar e a raspa de limão entre as mãos, para libertar o aroma do limão e misturar bem ambos os ingredientes. Deite a mistura numa tigela e junte-lhe o sumo de limão e os ovos. Coloque sobre uma panela com água ao lume e bata com uma vara de arames enquanto controla a temperatura com um termómetro de açúcar. Quando chegar a 84º retire do lume e deixe arrefecer até aos 60º. Nessa altura junte a manteiga cortada em pedaços e volte a bater com a vara de arames até obter um creme uniforme - bata agora com uma batedeira eléctrica durante cerca de 10 minutos.

Deite o creme num pirex, cubra com película aderente e leve ao frigorífico.

No dia seguinte, prepare os macarons exactamente da forma que indicámos na outra receita. O que se segue é uma versão mais simples - vale a pena ler a outra receita, que tem mais alguns detalhes e conselhos. Não se esqueça que deve usar claras envelhecidas. No entanto, se se tiver esquecido de as preparar com antecedência, pode levá-las ao microondas por cerca de 15 segundos em potência média. Não é exactamente o mesmo, mas é suficientemente próximo para 'desenrascar'.

Comece então por peneirar o açúcar em pó e as amêndoas em pó para uma tigela. Misture o corante num dos recipientes de claras e deite sobre a mistura de açúcar e amêndoas sem mexer. Aqueça o açúcar e a água em lume médio até chegar aos 115º - nessa altura comece a bater a segunda porção de claras com uma batedeira. Assim que o açúcar chegar a 118º, sem parar de bater as claras, junte-lhe o açúcar em fio, batendo sempre durante cerca de 1 minuto. Reduza a batedeira para velocidade média e bata mais 2 minutos. Pare, deixe arrefecer até aos 50º, e deite sobre a mistura de açúcar, amêndoa em pó e claras com corante.

Misture as claras com o açúcar e a amêndoa, do centro para o lado da taça, rodando a taça enquanto mistura. Este ponto é crítico - misture até obter uma massa brilhante, que escorre da espátula. Se a massa formar um bico ao cair, esse bico deve desaparecer passados uns segundos. Mas atenção - não bata demasiado, para a massa não ficar líquida de mais.

Com a ajuda de um saco de pasteleiro, faça pequenos montinhos de massa de cerca de 3,5cm de diâmetro, com 2cm de espaço entre eles, sobre um tabuleiro forrado a papel de forno. No final, bata com o tabuleiro sobre o tampo da mesa para libertar bolhas de ar da massa. Deixe repousar cerca de 30 minutos.

Aqueça o forno a 180º em modo ventilado. O ideal é que o forno esteja com uma temperatura uniforme, sem fontes de calor extremas por cima ou por baixo. Se tal não for o caso, terá de ajustar o tempo, e se calhar só mesmo com tentativa e erro. É muito fácil estragar macarons com tempos/temperaturas de cozedura errados!

Leve os tabuleiros ao forno, passados 8 minutos abra e fecha a porta do forno para libertar o vapor. Repita 2 minutos depois e retire do forno mais 2 minutos depois. Deixe os macarons sobre o papel mas fora do tabuleiro. Assim que arrefecerem, retire-os com cuidado.

Entretanto retire o recheio do frigorífico (o ideal será retirá-lo antes de começar toda esta preparação, para não estar demasiado frio nesta altura). Deite a amêndoa em pó sobre o recheio e misture bem com uma colher. Deite o recheio num saco de pasteleiro e comece a rechear os macarons.

Não se esqueça - depois de prontos leve-os ao frigorífico de um dia para o outro. E retire-os 1 ou 2 horas antes de os comer. A sério, faz toda a diferença - ficam molhadinhos por dentro e perfeitos.

Boa sorte!

20 maio 2012


Os amigos são para estas coisas. Até hoje eu só conhecia de nome a sopa de beldroegas, prato típico alentejano. Mas graças à amizade e generosidade do Paulo e da Maria, que visitámos ontem em Évora, já corrigi essa falha. Viemos de Évora com o essencial para a sopa - um molho de beldroegas, pão alentejano, os queijos e a receita -, e foi o almoço. E que almoço! É uma sopa simples de fazer, mas substancial e rica como só no alentejo.
A acompanhar, vinho alentejano. A finalizar, uma fatia de pão-de-rala. Não há melhor.


Ingredientes (2 pessoas):
1 molho de beldroegas
2 queijos de cabra bem curados
2 ovos
1 cabeça de alho
2 dentes de alho
3 batatas médias
pão alentejano duro
azeite
sal


Preparação:
Prepare os ingredientes: lave e desfolhe as beldroegas (o caule não é utilizado na sopa); pique os dois dentes de alho; tire a pele branca da cabeça de alho até ver os dentes, mas com cuidado para não os separar; descasque e corte as batatas em rodelas grossas; corte os queijos em quatro.

Leve uma panela grande ao lume, cubra o fundo com azeite e deite os dois dentes de alho picados. Assim que começarem a alourar, deite-lhe as beldroegas e misture bem, deixando refogar um pouco enquanto ferve cerca de 1 litro de água noutra panela. Deite a água quente sobre as beldroegas e junte a cabeça de alho e as batatas. Tempere com sal e deixe cozinhar por cerca de dez minutos. Nessa altura junte os queijos cortados em quartos e prove para corrigir o tempero, se necessário. Finalmente abra os ovos para a sopa e deixe escalfar.

Corte o pão às fatias, usando-o para forrar as tigelas da sopa. Deite a sopa sobre o pão - e delicie-se!

06 maio 2012



Eu sei que o nome da receita parece exagerado, mas defendo-o as vezes que forem necessárias. Vi esta receita no blog da Cláudia Borralho e fiquei imediatamente interessado - uma receita de mousse de chocolate só com dois ingredientes? Ainda por cima sendo o segundo ingrediente água (e como qualquer pessoa que já tenha deixado entrar água numa ganache saberá, água e chocolate são coisas que nunca se devem misturar...)? E para além de tudo o resto, uma receita que o grande Heston Blumenthal apresenta aqui? Era impossível não experimentar...
A receita demora aí uns cinco minutos e só dá o trabalho de bater o chocolate com uma vara de arames, nada mais. E fica óptima. Cremosa como poucas mousses - e com um sabor incrível. Como não leva mais nenhum ingrediente, sabe a chocolate. Chocolate puro, sem mais nada. Para um verdadeiro apreciador, é sem dúvida alguma a melhor mousse de chocolate do mundo - todos os outros ingredientes são simplesmente dispensáveis. O único contra é que, tendo apenas estes ingredientes, rende muito pouco - uma tablete de 200g dá para duas pessoas. Mas é um contra muito pequeno tendo em conta o sabor...
A sério, experimentem. E se quiserem, podem depois variar um pouco, usando água com uma infusão de menta, ou de chá, ou substituindo um pouca da água por um pouco de licor. Mas só assim simples, com água e chocolate, já é perfeita. Vão por mim!


Ingredientes (2 pessoas):
200g de chocolate preto de boa qualidade (o sabor da mousse é o sabor do chocolate - escolham bem!)
180ml de água


Preparação:
Prepare um recipiente cheio de água e cubos de gelo e ponha outro recipiente sobre essa, por forma a que toque na água. Deixe de lado.

Corte o chocolate em pedaços pequenos (o ideal é usar uma faca de pão serrilhada). Coloque a água num tacho, deite-lhe o chocolate e leve ao lume, batendo com uma vara de arames até o chocolate derreter e misturar com a água. Assim que estiver, vaze para o recipiente que está sobre o gelo e bata com a vara de arames. Continue a bater sempre até ganhar a consistência de mousse - há-de começar a engrossar devagar e num instante lá chegará. Deite em taças e delicie-se!

02 maio 2012


Tanta invenção com pratos novos tem destas consequências – alguns quilinhos a mais que têm agora de sair. E custa muito mais perder peso do que ganhar. Um molho saboroso passa quase sempre por juntar alguma manteiga, e quando a comida sabe bem apetece mais um pouco. Para cortar neste ritmo estou a seguir pela segunda vez na vida uma dieta. É já velhinha mas simples e eficaz – a dieta de South Beach.
A parte dolorosa da dieta passa por 2 semanas de total privação de hidratos de carbono, e como todos os nossos pequenos-almoços habituais estão carregados de hidratos de carbono, tive de inventar em grande para não fazer omeletas todos os dias de manhã que seria um enjoo.
O queijo magro fresco com verduras é uma opção excelente.

Ingredientes para 1 pessoa:

1 queijo fresco magro grande
150 g de verduras (agrião, rúcula, canónigos, ou outros – o que tiver no frigorífico, ou quintal para felizardos)
Raspas de lima (ou limão)
Sumo de 1 lima (ou meio limão)
3 a 4 folhas de hortelã
5 a 6 folhas de manjericão
Orégãos q.b.
Vinagre balsâmico q.b.
Sal e pimenta q.b.

Preparação:

Lave as verduras e tempere com o sumo do citrino. Corte as ervas aromáticas e misture nas verduras. Disponha num prato largo e coloque o queijo fresco em rodelas por cima. Tempere com as raspas do citrino, orégãos, sal e pimenta e finalize com vinagre balsâmico.

Fresco, saudável, saboroso. E o corpo agradece – já se nota bem na balança.

26 março 2012


Mais cedo ou mais tarde teríamos de abordar a questão dos macarons... Basta espreitar o que se vai fazendo pela blogosfera culinária nos últimos tempos para ver que os macarons são uma das modas actuais. São um bolo aparentemente simples, à base de merengue e amêndoa, mas que tem ganho uma popularidade imensa e uma mística enorme, agravada pelo facto de ter uma receita enganadora, que parece simples mas que na verdade tem armadilhas escondidas em todos os passos. Confesso que antes de conseguir o resultado que está na foto fiz várias tentativas frustradas, sem sequer conseguir descobrir o que estava a fazer mal. Só consegui finalmente acertar ao experimentar a receita da verdadeira bíblia macaronense do chef francês Pierre Hermé, o livro "Macarons". O que se segue é a receita básica, com um simples creme de chocolate, mas a partir desta a imaginação é o limite. Os macarons são uma receita que permite infinitas variações e combinações de sabores.
Tentarei no texto chamar a atenção para os pontos que me parecem mais problemáticos. Esta é daquelas receitas que uma pessoa pode ter a sorte de acertar à primeira (e achar que é muito fácil) ou que pode dar tantos problemas que só apetece desistir. O meu conselho é: não desistam! Quando se acerta vale bem a pena!!


Ingredientes (para cerca de 30 macarons):

Para os macarons:
110g de claras de ovo, divididas em dois recipientes (55g cada)
150g de amêndoa em pó
150g de açúcar
150g de açúcar em pó
37,5g água

Para o recheio de chocolate:
200g de natas
200g de chocolate preto
70g de manteiga


Preparação:
Alguns dias antes da receita (de preferência uma semana), prepare as claras, colocando 55g em cada recipiente. Feche os recipientes com película aderente, abra uns furos na película com o bico de uma faca e deixe no frigorífico. As claras ficarão liquefeitas, perdendo elasticidade e adequando-se mais à receita.

Agora a preparação propriamente dita: numa tigela, junte o açúcar em pó com as amêndoas em pó e peneire para um recipiente grande. Deite-lhe um dos recipientes de claras liquefeitas (sem misturar). Num tacho pequeno, leve ao lume o açúcar e a água, aquecendo em lume médio e controlando a temperatura com um termómetro de açúcar. Assim que chegar aos 115º, comece a bater a segunda porção de claras com uma batedeira (de preferência uma batedeira fixa, mas também pode ser de mão, embora obrigue a alguma ginástica se estiver sozinho na cozinha). Assim que o açúcar chegar aos 118º, e sem parar de bater as claras, deite o açúcar em fio sobre as mesmas e continue a bater na velocidade máxima durante cerca de 1 minuto. Reduza a batedeira para velocidade média e bata por mais cerca de 2 minutos, obtendo um merengue de tipo italiano. Deixe repousar e controle a temperatura. Assim que chegar aos 50º deite-o com uma espátula sobre a mistura de açúcar e amêndoa em pó.

O passo que se segue é crítico. É a chamada macaronage. Trata-se de misturar o merengue com o açúcar e a amêndoa, do centro para o lado da taça, rodando a taça enquanto se mistura. Cuidado - não se pode misturar de menos e não se pode misturar de mais. Qual o ponto certo? É uma questão de prática. A massa começará a ficar brilhante, mas ainda escorrendo da espátula. Há blogs que comparam o ponto certo à consistência de lava. Se deixar cair um pouco de massa e ela formar um 'bico', esse bico deve desaparecer passados alguns segundos. Se se mantiver firme, mexa um pouco mais. Se estiver líquida de mais, passou do ponto e já não há muito a fazer...

Assumindo que tudo correu bem, agora é questão de colocar a massa num saco de pasteleiro, espalhar uma folha de papel vegetal de forno sobre um tabuleiro e fazer pequenos montinhos uniformes de cerca de 3,5 cm de diâmetro, com espaços de cerca de 2 cm entre eles (pode fazer previamente uns círculos a lápis no verso do papel para servirem de guia). Conseguirá encher pelo menos 2 tabuleiros. No final, bata ao de leve com o tabuleiro no tampo da mesa para libertar quaisquer bolhas de ar que possam ter ficado na massa. Deixe repousar por cerca de 30 minutos, até que, ao tocar ao de leve na massa, esta não pegue aos dedos.

Aqueça o forno a 180º em modo ventilado. Atenção - a temperatura do forno é outra variável crítica. Forno demasiado quente, demasiado frio, ou calor pouco uniforme podem estragar os macarons e fazer com que não cozam em condições. O tempo varia de forno para forno e há várias medidas nas receitas espalhadas pela internet. Mais uma vez segui os tempos do livro do Pierre Hermé e no meu forno funcionou na perfeição. Coloque os tabuleiros no forno a 180º, passados 8 minutos abra e feche rapidamente a porta do forno para deixar sair o vapor. 2 minutos depois (aos 10 minutos de cozedura) faça o mesmo, e retire do forno passados mais 2 minutos (aos 12 minutos de cozedura).

Deixe os macarons sobre o papel vegetal, mas fora dos tabuleiros, para que não continuem a cozer. Deixe-os arrefecer e retire-os cuidadosamente do papel. Se tudo correu bem, deverão sair sem problemas e estar perfeitos, tendo formado durante a cozedura o "pé" que lhes é característico.

Pronto, se conseguiu até aqui, então o pior já passou. Agora é o recheio. Corte o chocolate em pedaços (é mais fácil se usar uma faca de pão serrilhada) para dentro de uma taça. Leve as natas ao lume até ferverem e deite-as sobre o chocolate, um terço de cada vez e mexendo sempre. O chocolate derreterá e misturar-se-à com as natas. Controle a temperatura com o termómetro - assim que chegar a 50º vá juntando a manteiga em pedaços pequenos, uns poucos de cada vez. Bata com a vara de arames até a ganache estar uniforme e suave. Deite sobre um tabuleiro, cubra com película aderente e leve ao frigorífico para enrijecer.

Para rechear os macarons, vire metade das 'bolachas' ao contrário, coloque a ganache num saco de pasteleiro e deite uma porção generosa sobre cada bolacha, colocando outra por cima, com cuidado (são frágeis!).

No final, e este é capaz de ser o mais difícil de todos os passos desta longa receita, leve os macarons ao frigorífico de um dia para o outro. Sei que é quase impossível resistir, mas acredite - este tempo de espera faz com que a humidade do recheio passe para a massa, tornando-a mais húmida e saborosa. Vale bem a pena! Antes de comer, retire os macarons do frigorífico 2 horas antes, caso contrário estarão demasiado frios e rijos para serem devidamente apreciados.

Dá trabalho e pode ser muito difícil acertar com todos os passos. Mas quando se consegue é verdadeiramente recompensador!!...

09 fevereiro 2012


Voltamos hoje às panquecas. Em tempos, o Chef Janvier colocou a sua receita preferida aqui no CcT, agora é a minha vez. As panquecas são uma mania relativamente recente cá em casa. Andei à procura de receitas, fiz várias vezes uma outra que tinha encontrado na Internet, mas agora que descobri a receita da Donna Hay não quero outra coisa. Saem sempre perfeitas, com a altura certa e um sabor óptimo. Depois é só inventar acompanhamentos - mel, doces, compotas, iogurte natural, frutos silvestres, morangos, todos os anteriores ao mesmo tempo... Não há pequeno-almoço mais versátil do que uma boa torre de panquecas!


Ingredientes (para cerca de 8 panquecas):
2 chávenas de farinha sem fermento
2 ovos
1,5 chávenas de leite
1/3 de chávena de açúcar
75g de manteiga derretida
3 colheres de chá de fermento
sal
canela


Preparação:
Com a ajuda de um passador peneire a farinha para uma taça grande. Faça uma cavidade no meio com a mão. Bata ligeiramente os dois ovos numa tigela à parte e deite-os na cavidade, juntamente com o leite, o sal, a manteiga, o fermento e o açúcar. Bata com uma vara de arames até a massa estar bem ligada. Atenção, esta massa fica sempre um pouco líquida. Assim que estiver no ponto, deite um pouco de canela e misture.

Ponha de seguida uma frigideira pequena ao lume (em lume brando!) e assim que estiver quente use uma concha de sopa para deitar uma porção de massa na frigideira. Deixe aquecer até que surjam bolhas de ar à superfície - nessa altura, com a ajuda de uma espátula, vire a panqueca e deixe cozinhar no lado oposto por mais uns segundos. Retire e coloque sobre papel absorvente. Repita até esgotar a massa.

Se quiser, pode juntar na massa (antes de levar à frigideira) rodelas de banana ou de morango. Como disse no início, as panquecas são extremamente versáteis - basta ter alguma imaginação!

14 setembro 2011


Já por duas vezes (aqui e aqui) falei do livro "The Accidental Vegetarian" de Simon Rimmer. E se volto terceira vez ao mesmo livro é porque este é verdadeiramente um excelente livro de cozinha vegetariana, que foge aos 'suspeitos do costume' quando se pensa neste tipo de cozinha (não há um único prato com seitan ou tofu, por exemplo) e ainda assim consegue ser original e muito apelativo.

Desta feita, experimentei os cannelonni de queijo de cabra e espinafres e foi uma aposta ganha - a utilização dos tomates-cereja assados no forno em substituição do típico molho de tomate torna o prato invulgar e resulta muito bem.

Dou a receita indicando um pacote de cannelonni, mas o ideal é fazê-los usando a nossa própria massa fresca (seguindo por exemplo as indicações desta receita).


Ingredientes (12 a 15 cannelonni):
500g de tomates-cereja
1 embalagem de cannelonni
200g de queijo ricotta
150g de queijo de cabra
150g de queijo parmesão ralado na hora
100g de folhas de espinafre
tomilho
vinagre balsâmico
2 dentes de alho
azeite
sal
pimenta preta
raspas de queijo parmesão


Preparação:
Corte os tomates em metades, deite-os num recipiente grande de ir ao forno, cubra com um fio generoso de azeite e leve por cerca de 10 minutos ao forno aquecido a 220º. Adicione o tomilho, um fio de vinagre balsâmico e os dois dentes de alho esmagados. Tempere com sal e pimenta e deixe mais cerca de um quarto de hora no forno. Retire e reduza o forno para 180º.

Enquanto o tomate assa, prepare o recheio, misturando num recipiente o queijo ricotta com o queijo de cabra, o parmesão ralado e as folhas de espinafre. Misture muito bem e tempere com sal e pimenta a seu gosto.

Quando os tomates estiverem prontos, retire-os do tabuleiro, mas deixando o líquido da assadura. Recheie os cannelonni e disponha-os no mesmo tabuleiro, para aproveitar o azeite da assadura. Distribua todos os cannelonni pelo tabuleiro e cubra com os tomates-cereja. Leve ao forno por mais cerca de quinze minutos ou até estarem prontos.

Cubra com as lascas de parmesão e sirva.

08 setembro 2011



Já tive oportunidade noutras receitas de elogiar a versatilidade da panna cotta, uma receita simples mas que resulta sempre bem e que permite um número enorme de variações, seja ao acrescentar sabores diferentes às natas, seja ao variar a cobertura.

Há dias lembrei-me que uma combinação de panna cotta com o sabor fresco do melão era capaz de resultar bem. Ainda tentei inventar na cobertura, fervendo melão com açúcar para atingir uma consistência mais xaroposa, mas acabei por me render à solução mais simples - melão triturado, apenas com um pouco de lima a dar sabor. O resultado era o que eu esperava - uma sobremesa simples, mas fresca e saborosa, ideal para dias mais quentes (que ainda vamos tendo, apesar da proximidade do Outono).


Ingredientes:
500 ml de natas
75g de açúcar
3 folhas de gelatina
algumas folhas de hortelã
melão (usei cerca de 2 talhadas)
sumo e raspa de 1 lima


Preparação:
Deite as natas, o açúcar e a hortelã num tacho e leve a lume brando. Quando estiver quase a ferver, retire do lume. Ponha a tampa no tacho e deixe cerca de uma hora em infusão. Passado esse tempo faça passar as natas por um passador para outro recipiente.

Entretanto, coloque as folhas de gelatina de molho em água fria até amolecerem. Retire-as, escorrendo muito bem, e junte às natas até dissolverem completamente. Deite o preparado em formas individuais e leve ao frigorífico durante umas boas horas (o ideal é deixar de um dia para o outro).

Antes de servir, triture o melão num copo misturador e junte-lhe o suma da lima, mexendo bem. Deite sobre as formas individuais de panna cotta e polvilhe com a raspa da lima. Sirva bem fresco!

19 agosto 2011


Já há algum tempo que não tínhamos um risotto por aqui e este é bom para o Verão - com ingredientes frescos, de inspiração mediterrânica, e simples de fazer. O queijo ajuda à cremosidade do arroz e o tomate dá-lhe um colorido e um sabor que valem por si.


Ingredientes:
200g de arroz para risotto
200g de tomates-cereja
100g de queijo feta
1 dente de alho
1 cebola pequena
1l de caldo de legumes
1 molho de folhas de manjericão
pimenta
azeite


Preparação:
Comece por picar o alho e a cebola, por cortar os tomates-cereja ao meio e o queijo feta em cubinhos. Em qualquer risotto, a preparação é essencial, visto que uma vez que comece a cozinhar, não vai poder largar o tacho, sob pena de o arroz começar a pegar ao fundo do tacho.

Comecemos, então: deite um fio de azeite no fundo do tacho e junte o alho e a cebola picados. Deixe refogar até a cebola amolecer e nessa altura junte os tomates-cereja. Deixe-os amolecer e vá esmagando-os com uma colher de pau contra as paredes do tacho, fazendo-os soltar o sumo, que se misturará ao refogado. Finalmente, deite o arroz e misture-o bem com o refogado, mexendo sempre com a colher e deixando-o absorver o líquido que se juntou no fundo do tacho. Junte agora uma colher de caldo de legumes e misture o arroz, sem parar, até que este absorva o caldo. Nessa altura, junte mais uma colher de caldo e repita, sempre da mesma forma - uma colher de caldo, mexer o arroz até absorver, mais uma colher de caldo, e por aí adiante. Quando estiver a meio do caldo, deite os cubos de queijo feta, que irão derreter, dando sabor ao risotto e tornando-o ainda mais cremoso. Junte também as folhas de manjericão desfeitas em pedaços (guarde algumas para decoração). Vá juntando caldo, mexendo e cozinhando até o arroz estar al dente.

No final, sirva o risotto e polvilhe com pimenta preta moída na altura (não deverá necessitar de juntar sal, visto que o queijo feta já é suficientemente salgado). Decore com folhas de manjericão.
 
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