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03 novembro 2013


Já tinha ficado a dever à generosidade do Paulo e da Maria, grandes amigos de Évora, a receita - e os ingredientes - da sopa de beldroegas que aqui coloquei no ano passado; agora junto nova sopa e novo agradecimento. Neste fim-de-semana tivemos o prazer de ter estes amigos cá em casa, carregados com tudo o que é preciso para fazer uma genuinamente alentejana sopa de feijão com mogango.

Antes de mais, e para quem não sabe, mogango é o nome alentejano de um tipo de abóbora (há quem indique na Internet que é o nome dado localmente à abóbora-menina, mas não posso confirmar se está correcto). E esta sopa é... uma delícia! E não se deixem enganar por ser uma sopa: isto é uma refeição completa. Vai-se petiscando enquanto se cozinha - pão, queijo, azeitonas... -, abre-se um vinho, conversa-se, come-se a sopa e está feito um almoço perfeito!

Uma nota final antes da receita propriamente dita: o Paulo teve o cuidado de me dizer que há quem faça a sopa esmagando a abóbora em vez de a deixar em pedaços como se vê na foto. Como em todas as receitas tradicionais, esta terá tantas variantes quantas as pessoas que a fazem, e esta é a receita que o Paulo conhece de família. Eu não conheço outra mas garanto que esta é excelente assim, como está!


Ingredientes (éramos quatro e ainda sobrou... ):
1 lata de 400g de feijão manteiga (nota: a receita tinha originalmente feijão em lata, mas é preferível comprar o feijão e cozê-lo em casa, de preferência em panela de pressão, para aproveitar a água, que é muito mais saborosa. Foi o que fizemos neste caso, e refiro isso na receita. Neste caso, o feijão deve ser deixado de molho durante a noite)
1,5kg de mogango
3 dentes de alho
1 molho grande de coentros
1 folha de louro
2 colheres de sopa de farinha
colorau
azeite
sal
vinagre


Preparação:
Se tiver comprado feijão cru, coloque-o numa panela de pressão, junte água (foi a olho - entre 1 a 1,5 litros) e sal e deixe cozinhar por cerca de 20 minutos. No final não deite a água fora!

Entretanto pique os alhos, corte o mogango aos cubos e pique os coentros. Reserve.

Cubra o fundo de um tacho com azeite, leve ao lume e junte-lhe os alhos picados e a folha de louro. Deixe refogar um pouco e junte o mogango e os coentros, misturando bem com uma colher de sal. Deite um pouco de colorau, tempere com sal e deixe cozinhar em lume brando. O mogango vai perdendo água com a cozedura, o que evitará que pegue ao fundo, mas ainda assim mexa de vez em quando com a colher de pau, mas com cuidado para não desfazer a abóbora - quando notar que esta já começa a estar cozida, junte o feijão escorrido e misture, deixando apurar.

Entretanto, dissolva a farinha (é mais fácil se a peneirar) na água de cozedura do feijão (ou em água simples, se tiver usado feijão de lata), para a engrossar. Deite a água no tacho até cobrir o feijão e o mogango. Para finalizar, deite um pouco de vinagre, mexa, e prove. Se necessário corrija o sal e o vinagre.

Está pronto a servir - bom apetite!

20 maio 2012


Os amigos são para estas coisas. Até hoje eu só conhecia de nome a sopa de beldroegas, prato típico alentejano. Mas graças à amizade e generosidade do Paulo e da Maria, que visitámos ontem em Évora, já corrigi essa falha. Viemos de Évora com o essencial para a sopa - um molho de beldroegas, pão alentejano, os queijos e a receita -, e foi o almoço. E que almoço! É uma sopa simples de fazer, mas substancial e rica como só no alentejo.
A acompanhar, vinho alentejano. A finalizar, uma fatia de pão-de-rala. Não há melhor.


Ingredientes (2 pessoas):
1 molho de beldroegas
2 queijos de cabra bem curados
2 ovos
1 cabeça de alho
2 dentes de alho
3 batatas médias
pão alentejano duro
azeite
sal


Preparação:
Prepare os ingredientes: lave e desfolhe as beldroegas (o caule não é utilizado na sopa); pique os dois dentes de alho; tire a pele branca da cabeça de alho até ver os dentes, mas com cuidado para não os separar; descasque e corte as batatas em rodelas grossas; corte os queijos em quatro.

Leve uma panela grande ao lume, cubra o fundo com azeite e deite os dois dentes de alho picados. Assim que começarem a alourar, deite-lhe as beldroegas e misture bem, deixando refogar um pouco enquanto ferve cerca de 1 litro de água noutra panela. Deite a água quente sobre as beldroegas e junte a cabeça de alho e as batatas. Tempere com sal e deixe cozinhar por cerca de dez minutos. Nessa altura junte os queijos cortados em quartos e prove para corrigir o tempero, se necessário. Finalmente abra os ovos para a sopa e deixe escalfar.

Corte o pão às fatias, usando-o para forrar as tigelas da sopa. Deite a sopa sobre o pão - e delicie-se!

30 abril 2012


Já tinha pedido rabo de boi no talho para fazer sopa mas desta vez estava ali mesmo cortadinho e arrumado na cuvete, no expositor da carne já cortada e embalada, a pedir para eu o transformar em sopa. Comprei ainda 2 cortes de chambão com o ossobuco, para dar ainda mais sabor e aproveitar a medula. E com o dia frio e chuvoso, apeteceu mesmo uma sopa rica. A única parte chata desta sopa é que passa muito tempo ao lume para ficar mesmo boa. Há uns pacotinhos de sopa em pó que dizem ser sopa de rabo de boi. Experimentem o “artigo genuíno” que vão gostar.

Ingredientes para 6 pessoas:

1 rabo de boi (cerca de 800 g)
1 corte de chambão (cerca de 250 g)
Farinha q.b.
50 ml de azeite
1 cebola grande, em rodelas finas
1 cenoura grande, cortada finamente (usei descascador de batatas)
1 aipo, cortado em rodelas finas
½ nabo
3 a 4 colheres de sopa de polpa de tomate
1 folha de louro
1 copo (200 ml) de vinho tinto
1.5 litros de água
2 colheres de sopa de manteiga
Ervas aromáticas frescas

Envolva os cortes de rabo de boi em farinha. Aqueça o azeite na panela onde vai fazer a sopa e aloure o rabo de boi dos vários lados. Retire a carne e reserve.
Aloure as rodelas de cebola. Junte a cenoura, o aipo e o nabo, cozinhando por alguns minutos. Junte a polpa de tomate e mais algum azeite se necessário, mexendo a mistura.
Adicione o vinho tinto e levante fervura. Juntar o rabo de boi, a água e o corte de chambão, com a carne em pedaços. Cozinhe em lume brando deixando a panela meio tapada. Ao fim de meia hora, retire a medula do osso do chambão e reserve. Mantenha em lume brando por pelo menos mais 1 hora. Engrosse a sopa diluindo alguma farinha com a manteiga e um pouco do caldo da sopa, juntando agora à panela. Retire do lume e junte algumas folhas de ervas aromáticas frescas (tomilho, hortelã, salva, salsa, enfim – o que tiver à mão e que goste).
Desfie um pouco da carne do chambão e do rabo e devolva à sopa.
Sirva bem quente, com uma torrada de pão alentejano barrada com a medula e alguma manteiga.

08 dezembro 2011

Cozinha nova! Finalmente o regresso ao blogue, agora que voltei a ter condições para cozinhar.
Há algum tempo que pensava em fazer uma sopa de marisco. Tinha provado já por duas ocasiões uma sopa de marisco dentro do pão, separadas por uns bons 8 mil quilómetros, e ambas saborosas. De manhã fui às compras com um plano na cabeça, ao fim do dia o plano foi à vida e não fiz nada do que estava planeado. A sopa continuou a ser de marisco, neste caso de sapateira, mas não ficou um chowder ao estilo de São Francisco como pensei inicialmente fazer.
O sabor final é muito diferente de uma sopa de peixe. Esta época do ano é fraca para fazer sapateira (a boa altura é entre Junho e Agosto) que tinha pouca substância, mas foi o suficiente para dar a sua graça especial à sopa.

Ingredientes para 4 pessoas:
1 sapateira
1 cebola, picada finamente
1 cenoura em rodelas finas
1 talo de aipo, em rodelas
1 dente de alho pisado
1 colher de sopa de puré de tomate
150 ml de vinho moscatel
1 tomate maduro em cubos, sem sementes
2 a 3 colheres de sopa de natas
Meio ramo de salsa
1 haste de poejo (opcional)
Azeite q.b.
Sal e pimenta q.b. 

Preparação

Coza a sapateira em água a ferver com muito sal (30g por litro). Abra o corpo e quebre as patas para remover toda a carne branca e ovas (se for fêmea…). Reserve.

Num tacho aqueça um fundo de azeite e aloirar a cebola, e depois a cenoura, o tomate, o aipo e o alho por mais 5 ou 6 minutos. Junte o moscatel e as cascas da sapateira (patas quebradas e miolo ósseo) e deixe reduzir. Adicione entre 1 litro de água e levantar fervura. Deixe em lume brando por 20 minutos, removendo a espuma que se formar. No fim junte as ervas aromáticas.

Faça 2 torradas de pão alentejano com manteiga e corte em tiras.

Filtre a sopa toda por um passador de rede para aproveitar apenas o caldo. Adicione as natas e levante fervura.
Sirva em pratos quentes, com as tiras de torrada e a carne da sapateira.

Por vezes acho que a foto ficou melhor que o prato. Neste caso, felizmente, é o contrário – a sopa ficou especial. 

17 abril 2010


Quando compro garoupa quero sempre aproveitar a cabeça para uma sopa. Lá me dedico a desmanchar a garoupa da cabeça à cauda e começo a sopa. A partir daí a sopa toma conta das minhas preocupações e os lombos de garoupa passam a ser algo secundário. Desta vez fui aos limites e meti os lombos na própria sopa. Inspirei-me num restaurante de cozinha de fusão asiática, que serve sopas com bifes grelhados lá dentro (surpreende mas é realmente bom).


Para 6 pessoas.

Ingredientes:
1 garoupa de 1,5kg
60 ml de azeite.
1,5 L de água
1 cebola média
200 g de feijão branco cozido (de lata)
300 g de courgete
400 g de tomate em lata
1 fatia de pimento vermelho
1 colher de chá de sal, mais pimenta para apurar
1 raminho pequeno de salsa


Preparação:

Leve ao lume um tacho alto com azeite e aloure ligeiramente a cebola. Junte o feijão, a courgete cortada sem pele e a lata de tomate bem como a água.
Levante os lombos de garoupa e deite a cabeça e espinha na sopa, cozinhando por 20 minutos. Remova o peixe e espinhas e junte a salsa. Triture de imediato.
Separe o peixe das suas espinhas e reintroduza os pedaços de peixe assim obtidos na sopa. Deixe ao lume a apurar. Deixe ao lume a apurar com a malagueta.

Tempere os lombos de garoupa com sumo de limão e sal e grelhe os lombos de garoupa. Sirva como se mostra na foto.

Bom apetite!

06 abril 2009

Os nomes das sopas baralham-me. Na cozinha francesa há toda uma gama – consommé, potage, crème, velouté, purée, bisques, etc. – que ainda tento dominar mas que desisti de tentar traduzir consistentemente para português, porque os nossos purés, cremes, sopas, caldos, e outros não têm uma correspondência linear (nem tinham que ter!) com os nomes franceses. Assim, decidi chamar sopa aveludada a este Velouté de chou-fleur, que aprendi com a obra “The complete Robuchon”, um valente calhamaço sem fotos com 800 receitas acessíveis do grande Chef Joel Robuchon.

Para 6 pessoas

Ingredientes:

300 g de alho francês (só a parte branca – cerca de 2 talos)
600 g de couve-flor
1 colher de chá de vinagre branco
40 g de manteiga
40 g de farinha
1 litro de caldo de galinha
2 gemas de ovo
100 ml de natas
Sal
Salsa

Preparação:
Lave os alhos franceses e corte em rodelas de 1 dedo de espessura. Remova todo o pé da couve-flor, ficando dividida em vários floretes. Passe-os por água corrente e por 1 litro de água com o vinagre diluído. Escorra novamente em água limpa.

Derreta a manteiga numa panela alta em lume brando e junte as rodelas de alho francês, cozinhando por 2 a 3 minutos. Deite toda a farinha, e mexendo sempre, cozinhe por mais 2 minutos em lume brando. Desligue o lume. Tem agora um “roux”, que lhe permite engrossar e aveludar a sopa. Reserve.

Num tacho, ferva 1 litro de água, junte uma colher de sopa de sal grosso. Junte os floretes de couve-flor e ferva por 1 minuto. Remova os floretes com uma escumadeira e passe-os por água fria num passador. Deixe escorrer e reserve 2 floretes para decorar os pratos.

Deite fora a água da fervura e leve agora a ferver o litro de caldo de galinha. Com uma concha, vá passando caldo para a panela com o roux, mexendo sempre, como se fosse um risotto. Tem agora o roux diluído. Leve ao lume e sem levantar fervura, junte os floretes de couve-flor. Baixe para lume brando, tape, e deixe fervilhar levemente por 35 a 40 minutos. Desligue.

Numa pequena taça, bata as duas gemas de ovo com as natas. Passe a sopa com a varinha mágica, e junte as natas e ovo em fio, mexendo sempre. Acerte o sal.

Sirva em pratos fundos com os floretes partidos e com salsa picada (ou cerefólio, como indicado na receita original).
Resulta numa sopa muito cremosa e aveludada, de sabor suave, em que a salsa faz um contraponto agradável. Se tiver de voltar a aquecer a sopa, não a deixe ferver.

27 março 2008

Depois do arroz de pato, eu tinha dito que se podia fazer uma bela sopa, e aqui está ela. Como fiquei com um belo caldo decidi fazer algo que nunca tinha feito – um consommé.

Os franceses têm toda uma longa hierarquia de diferentes sopas, e a nós faltam-nos as palavras para traduzir. Eu diria que em bom português fiz uma espécie de canjinha de pato.

Fui à minha enciclopédia de cozinha francesa em 8 pequenos volumes – La Cuisine moderne – onde tinha apenas 1 receita de consommé servido com croutons e salsa, tudo perfumado com um toque de vinho da Madeira, mas a receita partia já do caldo feito. Um dia contarei a história gira da compra destes livros.

Do livro do José Avillez – Um chef em sua casa – aproveitei as dicas para o caldo de aves.

Mas foi de um livro inglês – surpresa das surpresas – chamado “Cook simply everything” que tirei as lições para um bom consommé.

Fiz o consommé, mas para clarificar o caldo saboroso – ponto de honra do bom consommé – coei o líquido por um pano de linho e ignorei altivamente o passo moroso de apurar o caldo com legumes cortados em brunesa e misturados com claras de ovo. Pareceu-me trabalhoso demais para a pressa que eu tinha, e o resultado final foi mesmo assim muito bom.

Preparação:
Disponha os ossos do pato em tabuleiro de ir ao forno, onde ficarão por 30 minutos a 200ºC. Mexa os ossos um par de vezes para que tostem por igual. Retire-os do forno e deixe escorrer alguma gordura. Consegue-se assim aromas que lembram vagamente o caramelo ou o torrado, e que enriquecem a palete de sabores do caldo.

Leve os ossos ao lume numa grande panela de sopa com uns 3 litros de água. Aproveite o caldo em que cozeu o pato para o arroz e junte mais água até perfazer os 3 litros. Levante fervura, junte os vegetais para aromatizar, cortados grosseiramente, e deixe cozinhar em lume brando por umas 3 horas (a receita falava em 8 horas mas eu estava sem paciência…) retirando ocasionalmente a espuma superficial. Junte mais água para compensar a perda por evaporação.

Deixe arrefecer e reserve no frigorífico.

No dia seguinte remova toda a grossa película superficial de gordura e descobrirá que o líquido está gelatinoso. Tem o seu caldo pronto.

Cozinhe em água e sal alguma massa. Passe por água e escorra para que a massa não perturbe a claridade do consommé.

Aqueça o caldo gelatinoso na quantidade necessária para 4 pratos de sopa. Coloque o pano de linho no passador chinês (passador cónico de malha fina) e coe. Sirva bem quente, juntando-lhe a massa e algumas folhas aromatizantes (escolhi hortelã, de que gosto muito).

Muito saboroso, e sem ponta de gordura.

Em alternativa à massa, pode servir por exemplo com 2 ovos de codorniz, escalfados, ou com croutons.



Ingredientes para o caldo:
3 a 4 litros de líquido (água e caldo da cozedura do pato – receita anterior)
1 cebola média
1 cenoura média
Meio alho francês (inclui as folhas verdes)
1 folha de louro
1 golpe de vinagreOssos de 1 pato grande (2 a 3 quilos)

15 janeiro 2008

Inspirado noutra sopa de cogumelos, fiz uma versão mais leve (sem natas) e com mais sabores da terra: castanhas e batatas. Tornou-se assim uma sopa que nos lembra o inverno e este tempo chuvoso.

Para rematar a apresentação, substituí as natas batidas com cerefólio, cebolinho e coentros por apenas queijo da ilha, ralado.

A sopa fica menos aveludada e adocicada (trocar natas por batatas não podia ser neutro, não é?) mas é mais simples de preparar, tornando-se viável como sopa para o dia-a-dia, e muito mais light.

Preparação:

Lave muito bem os cogumelos, um a um. Enxugue-os com um pano e vá fatiando os cogumelos enquanto aquece o azeite numa panela larga e grande. Com o azeite quente, junte-lhe as chalotas (ou a cebola grande) picadas e deixe cozinhar brandamente por uns minutos, sem deixar queimar nada. Junte os cogumelos e salpique-os de sal. Vão parecer demasiados cogumelos mas não se preocupe – é mesmo assim. Levante o lume por 2 minutos para começar a sangrar a água dos cogumelos. Baixe o lume e tape. Mexa ocasionalmente. Verá que os cogumelos encolhem muito e ficam mais escuros.

Coza à parte as batatas, com alguma cenoura, alho francês, castanhas, pimenta, e sal, e meio cubo de caldo de legumes, se gostar de reforçar sabores.

Após uns 5 minutos esprema para a panela o sumo de limão, deixe reduzir um pouco, e junte o caldo de galinha, já quente. Levante fervura, e deixe em lume médio por 10 minutos, remexendo com a colher de pau. Junte as batatas e alguma água da sua cozedura e triture tudo com a varinha mágica. Triture muito bem, para eliminar qualquer granularidade da batata. Junte água da cozedura até que a sopa fique apenas levemente espessa.

Sirva com queijo da ilha, ralado. Para ralar bem o queijo da ilha convém que já tenha secado alguns dias no frigorífico.

Confesso que o sabor das castanhas pouco se notou. De uma próxima vez, irei usar castanhas assadas, para que tenham mais sabor. Por fim, não abuse do limão, que dá um travo ácido à sopa. Eu aprecio imenso, mas nem toda a gente gostou… :(

Para a sopa:

300 g de cogumelos
100 ml de azeite
2 chalotas (ou uma cebola média, picada finamente)
1 dente de alho, finamente fatiados
Sumo de meio limão
1 litro de caldo de legumes (água da cozedura das batatas com vários legumes)
1 dúzia de castanhas peladas
500 g de batatas
50 g de manteiga
Sal marinho q.b.
Pimenta q.b.

05 janeiro 2008


A sopa Żurek (pronuncia-se 'Júrek') é um dos pratos mais populares da cozinha polaca. É uma sopa bastante completa, perfeita para os dias mais frios, e com um sabor único, graças ao kwas, que não é mais do que farinha de centeio deixada a azedar em água durante uns dias (não se assustem com a descrição - a sopa tem um ligeiro travo amargo, mas não é demasiado forte; na verdade o sabor é muito agradável - e reconfortante). Como qualquer bom prato tradicional, há tantas receitas de Żurek quantos os cozinheiros. A que se segue é a minha, feita a partir de várias que encontrei pela Internet. Saiu bastante bem - já nem foi preciso comer mais nada ao jantar.


Ingredientes (2 pessoas):

Para o kwas:
37,5g de farinha de centeio integral
300ml de água

Para a sopa:
625ml de água
1 cubo de caldo de legumes
200ml de kwas
1 salsicha fresca
1 ovo
cogumelos secos
1/4 de cebola grande
1 folha de louro
1 dente de alho
2 colheres de sopa farinha
sal
pimenta
manjerona seca (ou, em alternativa, orégãos)

Uma sopa Żurek tem de ser planeada com antecedência, devido ao kwas, que demora 5 dias a preparar. Na Polónia é possível comprar em qualquer supermercado garrafas de kwas já feito, mas em Portugal tem mesmo que ser preparado à moda antiga. Para tal, comece por ferver a água. De seguida, coloque a farinha de centeio num recipiente não metálico (uma caixa de plástico ou um boião de vidro servem bem). Deite-lhe só um pouco de água quente e misture até obter uma papa. Deite de seguida o resto da água, misture bem, tape o recipiente com um pano e guarde num local seco durante uns 5 dias. É normal que sinta um leve cheiro a azedo vindo do recipiente durante este tempo - o kwas serve para isso mesmo, para dar um travo amargo à sopa.

Passados os 5 dias é provável que se tenha formado algum bolor à superfície da água - retire-o com cuidado. Filtre de seguida o líquido por um passador para um novo recipiente, e o kwas estará pronto a usar.

Agora a sopa propriamente dita - comece por preparar os ingredientes: coloque uma mão-cheia de cogumelos secos numa taça com água a ferver e deixe-os absorver a água durante uns minutos (não deite fora a água!). Aproveite para picar a cebola e esmagar o dente de alho. Entretanto, ponha a cozer em água o ovo e a salsicha fresca (em tachos separados). Assim que o ovo estiver cozido, descasque-o e reserve. Quanto à salsicha, retire-a quando estiver cozida, corte-a em pedaços pequenos e reserve também.

Aqueça numa panela a água com o cubo de caldo de legumes. Deixe ferver e vá mexendo para desfazer o cubo. Assim que estiver desfeito, junte a cebola picada, a folha de louro partida em pedaços e a salsicha. Deixe ferver durante uns minutos.

De seguida, junte os cogumelos, deitando também um pouco da água onde os deixou de molho. Junte o kwas e o alho esmagado. Tempere nesta altura com sal e pimenta (prove para acertar o tempero). Entretanto, coloque as duas colheres de farinha numa taça pequena e desfaça-as num pouco de água. Junte à sopa, para engrossar. Deixe ferver mais uns minutos.

Para servir, comece por cortar o ovo cozido a meio e deite uma metade em cada um dos pratos. Sirva a sopa por cima e termine polvilhando com manjerona seca. Smacznego!

30 setembro 2007


Agora que a época das castanhas está quase a começar, é uma boa altura para experimentar esta sopa (que pode também ser feita com castanhas congeladas, claro), cuja receita retirei de um número da revista inglesa Living Etc. A conjugação das castanhas com o azeite de cogumelos resulta muito bem, fazendo uma entrada muito agradável, principalmente agora que os dias começam a ficar mais frios...

Ingredientes (4-6 pessoas):
800g de castanhas
1,5 l de caldo de galinha
500ml de natas
1 cebola picada
3 dentes de alho esmagados
2 colheres de sopa de azeite
40g de manteiga
sal
pimenta

Para o azeite de cogumelos:
5g de cogumelos porcini secos
125ml de azeite


Preparação:

Comece por preparar o azeite de cogumelos porcini - coloque o azeite e os cogumelos num tachinho e leve a lume brando durante cerca de 5 minutos. Retire do lume e reserve.

De seguida, ligue o forno a 220º e deixe aquecer. Enquanto espera, faça um golpe em cruz no fundo de cada castanha e coloque-as num tabuleiro. Leve a assar durante cerca de 10 miunutos. Retire do forno, deixe arrefecer um pouco e descasque as castanhas, removendo a casca e a pele.

De seguida, coloque uma panela grande sobre lume alto. Deite-lhe o azeite, a manteiga, a cebola picada, os dentes de alho esmagados e as castanhas. Cozinhe por cerca de 2 minutos até a cebola começar a ficar macia. Nessa altura deite-lhe o caldo de galinha e deixe cozinhar, mexendo de vez em quando. A cozedura deve durar cerca de meia hora - ou o tempo que levar até as castanhas ficarem macias. Nessa altura, junte as natas, o sal e a pimenta.

Retire do lume e triture bem com a varinha mágica até obter um creme suave. Sirva em tigelas, regando com um fio do azeite de cogumelos porcini por cima.

16 setembro 2007

Gosto muito de cogumelos, e descobri uma receita de uma sopa aveludada que vai buscar o sabor intenso do cogumelo cozinhado, misturado com a frescura de natas e ervas. O cerefólio, raramente usado, fica aqui muito bem. É uma sopa gulosa, daquelas que apetece comer 2 pratos...





Para a sopa:

750 g de cogumelos
125 ml de azeite
3 chalotas (ou uma cebola grande)
2 dentes de alho, finamente fatiados
Sumo de meio limão
1 litro de caldo de galinha
200 ml de natas
100 g de manteiga sem sal
Sal marinho q.b.
Pimenta q.b.

Para o creme de ervas:

5 c de sopa de natas
Meia cebola picadinha fininhaMolhos de ervas aromáticas picadas: cerefólio, cebolinho e coentros


Preparação:

Lave muito bem os cogumelos, um a um. Enxugue-os com um pano e vá fatiando os cogumelos enquanto aquece o azeite numa panela larga e grande. Com o azeite quente, junte-lhe as chalotas (ou a cebola grande) picadas e deixe cozinhar brandamente por uns minutos, sem deixar queimar nada.

Junte os cogumelos e salpique-os de sal. Vão parecer demasiados cogumelos mas não se preocupe – é mesmo assim. Levante o lume por 2 minutos para começar a sangrar a água dos cogumelos. Baixe o lume e tape. Mexa ocasionalmente. Verá que os cogumelos encolhem muito e ficam mais escuros.

Após uns 5 minutos esprema para a panela o sumo de limão, deixe reduzir um pouco, e junte o caldo de galinha, já quente. Levante fervura, e deixe em lume médio por 10 minutos, remexendo com a colher de pau. Junte as natas suavemente enquanto tritura tudo com a varinha mágica.

Para o creme de ervas, bata um pouco as natas, e junte as ervas picadas. Bata de novo, apenas por 5 a 10 segundos, para encorpar as natas e misturar os ingredientes.

Sobre o caldo de galinha, tenho de dizer que à falta de galinhas, usei 1,1 litros de água, 1 caldo knorr, e verduras tiradas do frigorífico: cebola, cenoura, alho francês e de temperos deitei sal, pimenta, e louro. Deixei cozer por meia hora e filtrei com o passador.

Sirva a sopa com uma colher creme de natas no centro e decore com mais algumas ervas.

30 julho 2007


Desde que provei uma sopa de melancia num restaurante em Varsóvia que fiquei com vontade de experimentar algo parecido. Não é uma sopa vulgar - pode ser vista como um refresco ou uma espécie de sumo; mas é muito agradável para começar uma refeição, ainda para mais com um tempo quente como o que se tem feito sentir ultimamente.
Para fazer a sopa andei a investigar várias receitas na Internet. Tirei ideias de algumas, usei o que me lembrava da sopa que comi e saiu assim. Estava bem agradável - muito fresca, como convém.

Ingredientes (2 pessoas):
2 chávenas de melancia cortada em pedaços (sem casca nem pevides)
1 limão
1 cm de gengibre
vinho branco
1 colher de sopa de açúcar amarelo
hortelã


Preparação:
Comece por colocar num pequeno tacho o gengibre cortado em pedaços pequenos, a raspa da casca do limão e o açúcar amarelo. Aqueça em lume médio durante 30 segundos a um minuto. Junte o sumo do limão e deixe aquecer durante mais um pouquinho. Retire do lume.

Deite os pedaços de melancia num copo misturador. Faça passar o conteúdo do tacho por um passador para dentro do copo misturador. Junte um pouquinho de vinho branco (eu deitei a olho, seria talvez um quarto de copo - não deite demasiado para não tornar o sabor demasiado forte) e algumas folhas de hortelã. Misture tudo muito bem (quanto mais tempo misturar menos espessa fica a sopa - vá espreitando para ver se está no seu 'ponto'). No final prove - se necessário corrija o açúcar.

Coloque a sopa no frigorífico algum tempo antes de ir para a mesa e sirva bem fresca!

01 julho 2007

Lembro-me de ser muito pequeno e ver o avô Zé entusiasmado à espera do gaspacho que estava a ser preparado. Água fria, tomate, pepino, o azeite a boiar. A receita não devia ficar por aqui, mas não me lembro de nada mais.

A 30 kms estava a fronteira de Vilanueva del Fresno, onde muito provavelmente alguém estaria a fazer gaspazo, apenas mudando a grafia. E no entanto, o mundo inteiro conhece o gaspazo e todos ignoram o gaspacho. Somos fracotes a divulgar a nossa gastronomia...

O gaspacho tradicional é para dias muito quentes, em Julho e Agosto, na altura do bom tomate, e não tem nada a ver com a foto apresentada. É uma aguada fria de cubos de tomate, pepino e pão do dia anterior a boiarem entre o picado de cebola e pimento, com manchas largas de azeite, salpicadas de vinagre, e ainda sal, pimenta, e alho.

Hoje em dia cada um ajusta a receita a seu gosto, e assim fiz eu.

Para 4 pessoas:

Água fria: 0,7 L
Tomates: 6
Pimento: 1 punhado de picado
Pepino pequeno: 1
Cebola pequena: 1
Pão alentejano: 3 grandes fatias
Sumo de tomate: 100 ml (opcional)
Azeite e vinagre: q.b.
Sal e pimenta: q.b.
Orégãos: q.b.
Hortelã da ribeira: 8 hastes (opcional)

Corte os tomates e pepino (eu tiro as sementes a ambos), o pimento até encher uma mão fechada, a cebola, e uma das fatias de pão e junte à água bem fria. Triture tudo. Pode juntar sumo de tomate, se gostar. Tempere com azeite, vinagre, sal e pimenta e prove. Se algo estiver muito forte para o seu paladar, ajuste as quantidades, adicionando mais pão ou água, por exemplo.

Leve as restantes 2 fatias de pão a torrar, e regue com um fio de azeite. Salpique generosamente com orégãos, e corte em cubos.

Sirva em pratos fundos, com meia fatia torrada de pão alentejano com azeite e orégãos para cada pessoa. Aromatize com um pouco de pimenta, azeite, orégãos e 2 hastes de hortelã da ribeira - a primeira para retirar as folhas e espalhar no prato, a segunda para decorar.

A hortelã da ribeira trás um perfume de menta maravilhoso, que joga bem com a frescura da sopa. É um opcional apenas por ser muito difícil de encontrar à venda. A hortelã vulgar torna-se muito forte como substituto, mas talvez resulte, se for bem picadinha em juliana.
Pode ainda guarnecer o prato com cubinhos de tomate e pepino temperado com sal fino.
Gaspacho talvez não seja um prato para todos, mas eu repeti porque ficou simplesmente delicioso.

24 fevereiro 2007

Desde que um certo político trouxe a vichyssoise à baila que fiquei com curiosidade sobre esta sopa cremosa e fria. Deliciei-me primeiro no restaurante Bica do Sapato e depois no Olivier do Bairro Alto. Decidido a experimentar, fui à Internet descobrir várias receitas, fiz a sopa para um grupo de amigos, e ficou aprovada. Introduzi-lhe a novidade da redução de porto, que agora considero imprescindível nesta sopa. A foto, essa, é que deixa algo a desejar.

As quantidades são aproximadas.

Corte as folhas verdes dos alhos franceses, aproveitando apenas o pé branco (primeiros 10 a 15cms). Aplique cortes grosseiros e lave bem em água corrente. Descasque e corte as batatas em cubos.

Numa panela alta, derreta a manteiga e leve o alho francês e a cebola a cozinhar em lume brando, sem corar. Junte as batatas e os temperos e cubra de água. Deixe cozer lentamente, tapado, por 30 a 40 minutos. Cozidas as batatas, triture tudo muito bem com a varinha mágica e junte as natas. Ajuste a consistência com mais água se necessário, mexa e deixe apurar. Rectifique temperos. Deixe arrefecer e leve ao frigorífico.

Leve o vinho do porto num tacho em lume suave com algumas farripas de gengibre. Quando reduzir a um terço, retire o gengibre e deixe arrefecer.

Sirva o creme bem frio em prato fundo, com a redução de porto, meio tomate cereja e cebolinho picado.

Para a sopa:

Alhos franceses: 600 gramas
Batatas 500 gramas
Cebola média: 1
Manteiga: 4 colheres de sopa (vaqueiro)
Água: 2 chávenas
Sal: 2 colheres de chá
Pimenta branca: q.b.
Natas: 200 ml
Cebolinho picado: q.b.
Tomate cereja: meio, por prato.

Para a redução:

Vinho do porto tawny: 300 ml

Gengibre picado: 1 colher de café
 
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