07 julho 2007


Estive de férias nas últimas duas semanas, no Algarve. Sol, praia, muito calor - e uma boa surpresa. Ao fazer compras no Jumbo de Faro, deparei-me com algo que já não via há cerca de oito anos: Halloumi, um queijo tradicional de Chipre.

Conheci o Halloumi num curso de formação que fiz em 1999 - o hotel servia umas sandes óptimas, com este queijo grelhado às fatias. O Halloumi tem uma consistência rija (um queijo "borracha") que o torna ideal para ser cozinhado (grelhado, frito...). Quando o vi à venda no Jumbo levei-o logo para casa e, com base nos ingredientes que tinha por lá, fiz esta receita. Saiu tão bem que a repetimos ainda mais umas vezes - é óptima como entrada nos dias de Verão.


Ingredientes (4 pessoas):
1 queijo Halloumi (250g)
6 tomates-cereja
orégãos
azeite
doce de frutos silvestres (opcional)


Preparação:
Comece por preparar o queijo, cortando-o em fatias, não demasiado finas (para não se desfazerem enquanto cozinham). Corte também os tomates-cereja ao meio, obtendo 12 metades.

Aqueça o azeite numa frigideira-grill e, quando estiver quente, deite-lhe os tomates cereja, com o lado cortado virado para baixo. Esmague-os com uma colher de pau, para que a polpa se solte e se misture com o azeite. Deixe aquecer uns segundos e coloque então as fatias de queijo. Deixe grelhar um pouco (o suficiente para ficarem douradas mas não queimadas) e vire para grelhar do outro lado. Assim que estiver pronto, retire do lume e coloque num prato, com meio tomate em cima de cada fatia.

Polvilhe com os orégãos. Se desejar, coloque um pouco de doce de frutos silvestres no prato - fica muito bem a acompanhar o queijo.


embalagem de Halloumi:

01 julho 2007

Lembro-me de ser muito pequeno e ver o avô Zé entusiasmado à espera do gaspacho que estava a ser preparado. Água fria, tomate, pepino, o azeite a boiar. A receita não devia ficar por aqui, mas não me lembro de nada mais.

A 30 kms estava a fronteira de Vilanueva del Fresno, onde muito provavelmente alguém estaria a fazer gaspazo, apenas mudando a grafia. E no entanto, o mundo inteiro conhece o gaspazo e todos ignoram o gaspacho. Somos fracotes a divulgar a nossa gastronomia...

O gaspacho tradicional é para dias muito quentes, em Julho e Agosto, na altura do bom tomate, e não tem nada a ver com a foto apresentada. É uma aguada fria de cubos de tomate, pepino e pão do dia anterior a boiarem entre o picado de cebola e pimento, com manchas largas de azeite, salpicadas de vinagre, e ainda sal, pimenta, e alho.

Hoje em dia cada um ajusta a receita a seu gosto, e assim fiz eu.

Para 4 pessoas:

Água fria: 0,7 L
Tomates: 6
Pimento: 1 punhado de picado
Pepino pequeno: 1
Cebola pequena: 1
Pão alentejano: 3 grandes fatias
Sumo de tomate: 100 ml (opcional)
Azeite e vinagre: q.b.
Sal e pimenta: q.b.
Orégãos: q.b.
Hortelã da ribeira: 8 hastes (opcional)

Corte os tomates e pepino (eu tiro as sementes a ambos), o pimento até encher uma mão fechada, a cebola, e uma das fatias de pão e junte à água bem fria. Triture tudo. Pode juntar sumo de tomate, se gostar. Tempere com azeite, vinagre, sal e pimenta e prove. Se algo estiver muito forte para o seu paladar, ajuste as quantidades, adicionando mais pão ou água, por exemplo.

Leve as restantes 2 fatias de pão a torrar, e regue com um fio de azeite. Salpique generosamente com orégãos, e corte em cubos.

Sirva em pratos fundos, com meia fatia torrada de pão alentejano com azeite e orégãos para cada pessoa. Aromatize com um pouco de pimenta, azeite, orégãos e 2 hastes de hortelã da ribeira - a primeira para retirar as folhas e espalhar no prato, a segunda para decorar.

A hortelã da ribeira trás um perfume de menta maravilhoso, que joga bem com a frescura da sopa. É um opcional apenas por ser muito difícil de encontrar à venda. A hortelã vulgar torna-se muito forte como substituto, mas talvez resulte, se for bem picadinha em juliana.
Pode ainda guarnecer o prato com cubinhos de tomate e pepino temperado com sal fino.
Gaspacho talvez não seja um prato para todos, mas eu repeti porque ficou simplesmente delicioso.

17 junho 2007

É uma receita que a minha mãe me fazia de vez em quando. Sempre gostei destes pastéis, de comer 3 ou 4 ainda quentinhos, porque nunca parece demais comer mais um.

Embora a receita habitual recomende usar as formas pequenas, a minha mãe fez várias vezes estes pastéis num tabuleiro largo, deixando a massa com uns 2 cms de altura, e depois de sair do forno cortava a massa em losangos ou quadrados. Tem um efeito bonito e evita besuntar de manteiga umas duas dúzias de formas. Hoje fizemos em conjunto a versão das duas dúzias de formas.


Para 24 pastéis:

0,5 l de leite

350 grs de açucar

125 grs de farinha sem fermento

3 ovos

50 grs de manteiga (Vaqueiro)

1 casca de limão

canela q.b.


Ferva o meio litro de leite com a casca de limão, e reserve a arrefecer.

Misture o açucar com a farinha, batendo depois com os ovos inteiros. Adicione a manteiga derretida. Junte o leite já morno, em fio.


Use as formas pequenas, sem encher, untadas com manteiga e farinha. Leve ao forno a 200 ºC por uns 40 minutos ou até os pastéis ficarem alourados.

Retire do forno e aguarde 15 minutos para desenformar. Sirva com canela.


Se preferir, pode trocar parte do açucar por mais manteiga. Use apenas 150 grs de açucar e 100 grs de manteiga.


Estes pastéis são simplicíssimos e continuam muito saborosos por vários dias.

11 junho 2007

Já apetecem pratos leves. Hoje pude cozinhar ao almoço, e fiz umas bruschettas, com a vantagem de ter à mão pão alentejano, desta vez de Ourique.

Resolvi inverter a ordem natural das bruschettas, e tirei-lhes os tomates e a mozzarella, que servi no prato, e coloquei uma omoleta em cima do pão. Ficou bom, acompanhado de um sumo de morangos apanhados ontem.

Para 4 pessoas:

4 Fatias de pão alentejano
4 tomates
2 queijos mozzarella
2 dentes de alho
4 ovos
Salsa
Manjericão
Azeite, sal e pimenta q.b.

Leve o pão a torrar, seja na torradeira ou no forno. Corte os dentes de alho ao meio, e esfregue cada fatia de pão com meio dente de alho, deitando-lhe depois um fino fio de azeite.

Faça a omoleta, com bastante salsa, e corte em 4 porções, sobre o comprido. Disponha no prato o pão, a omoleta por cima, o tomate e o mozzarella cortados grosseiramente. Regue o tomate com azeite, e espalhe flor de sal, pimenta, e manjericão em juliana.
O azeite de temperar o tomate acaba por se espalhar debaixo da fatia de pão, acrescentando sabor. Um prato leve, de Verão.

26 maio 2007


Gosto de pesto feito em casa – tem um sabor mais intenso e fresco, sem comparação com o que se compra no supermercado. Hoje, à falta de pinhões comprados na Nazaré, usei caju, e o pesto fica igualmente bom e mais barato.

Optei por um esparguete de tomate, para dar mais cor ao prato, e aproveitei uma promoção de atum para enriquecer o prato. Em vez de atum, pode usar frutos do mar – experimente com umas amêijoas, mexilhões ou com camarão descascado.

Para o pesto:
Manjericão: 60 grs de folhas
Parmesão: 40 grs, ralado
Caju: 40 grs
Alho: ½ dente pequeno, picado.
Azeite: q.b.
Sal: q.b.

No pesto, as quantidades são indicativas. Eu faço completamente a olho, e vou provando e ajustando as quantidades. Junte num copo misturador as folhas de manjericão (sem as hastes), o parmesão e o caju. Prima o botão de “pulse” algumas vezes para desfazer os ingredientes. Junte o azeite (entre 50 a 100 ml, ou até mais) e prima novamente o “pulse” para misturar. Não desfaça tudo em puré fino: é mais agradável ter um pesto grosseiro, e eu gosto dele espesso, com menos azeite. Hoje substituí o alho por gengibre, e resulta bem.


Para o esparguete:

Esparguete: 300 grs
Sal: q.b.
Azeite: q.b.

Leve 2,5 a 3 litros de água a ferver. Junte o sal e um fio de azeite. Coza o esparguete pelo tempo que a embalagem indicar, mas vá verificando, para garantir que fica al dente.


Para o atum:
Lombo de atum: 500 grs
Sal: q.b.

Corte o lombo em blocos sobre o comprido a acompanhar o veio da carne, com uns 3 cm de altura e largura, e uns 7 a 10 cm de comprimento. Aqueça bem a chapa ou uma frigideira anti-aderente e deite um pouco de azeite. Passe o atum por 1 a 2 minutos, de cada lado do bloco. Eu gosto dele quase cru (aliás, eu gosto dele cru, mas assim braseado fica muito saboroso) mas o importante é que não fique todo passado, para não ficar ressequido.

Sirva fatiando o atum, e espalhando algum pesto sobre a massa. Eu levo uma tacinha de pesto para a mesa, para que os aficionados possam acrescentar a gosto.

24 maio 2007

Comprei a maquineta da foto numa ida ao Brasil. Chama-se “Fácil D+” e prometia ser uma revolução na cozinha – tudo mais rápido, com menos gordura, e fácil de limpar. Enfim, até soava fácil demais, como diz o nome.

Para surpresa minha, faz um bolo em 9 minutos apenas. Serve para grelhar carne, peixe e legumes, fazer crepes, e pode-se dizer com toda a justiça que faz tostas mistas.

É no entanto perigosa. Pesada, difícil de manusear, com pegas de madeira pequenas, e ao menor descuido queimamos os dedos. É vendida em sessões de demonstração, por uns inacreditáveis 100 reais (quase 40 euros), o que me parece muito caro para uma espécie de cataplana mal acabada. Não foi a minha melhor compra, mas aqui vai a receita de um pequeno bolo de laranja, feito em 9 minutos.

Ingredientes:

Ovos: 3
Açúcar: 150 grs
Óleo: 6 colheres de sopa
Sumo de 1 laranja
Farinha: 150 grs
Raspa de ½ laranja

Bata as gemas com o açúcar. Junte o óleo e depois o sumo de laranja. Deixe a mistura bem homogénea. Adicione a farinha a pouco e pouco, e por fim as claras batidas em castelo e a raspa de laranja.

Leve a Fácil D+ a lume forte. Deite-lhe margarina vaqueiro, deixe derreter e espalhe bem por ambos os lados da Fácil D+. Aqueça bem um dos lados. Vire esse lado para cima, abra a Fácil D+ e deite a massa do bolo. Feche. Baixe para lume brando e aguarde 5 minutos. Vire a Fácil D+ e aguarde 4 minutos. O bolo está pronto a servir.

Nesta minha terceira tentativa, contei os minutos a olho, e deixei um dos lados do bolo um pouco mal cozido, mas ficou bom.

21 maio 2007

Este sábado levei meio cabritinho ao forno. À falta de batatas que chegassem, improvisei um arroz que saiu melhor do que esperava.

Para o cabrito:

Cabrito: 2 a 3 quilos
Alho: 3 dentes
Rosmaninho: 3 a 4 hastes
Alecrim: 3 a 4 hastes
Pimenta: 10 grãos
Sal: 1 colher de chá
Vinho branco: 1 copo
Azeite: q.b.
Vaqueiro: 50 grs
Louro: 1 folha
Batatas: 6 a 8, pequenas e com pele.

Corte 3 dentes de alho, e desfolhe entre os dedos 3 a 4 hastes de rosmaninho e 3 a 4 hastes de alecrim. Junte no pilão com o sal e a pimenta preta e pise bem. Junte 2 a 3 golpes de azeite e pise um pouco mais.

Molhe o cabrito com meio copo de vinho branco, e besunte-o com a pasta de alho e ervas. Espalhe despreocupadamente algum sal e pimenta do moinho. Após um mínimo de 2 horas de marinada, deite-lhe uns valentes golpes de azeite e o resto do vinho. Cubra alguma da carne com fatias de margarina Vaqueiro e uma folha de louro para aromatizar. Leve a forno médio (160º a 180º), virando uma vez. No tabuleiro, ponha algumas batatas para assar, com pele.

Para o arroz:

Azeite: 50 cl
Alho: 1 dente
Chouriça: 6 a 8 fatias
Cogumelos: 50 grs
Arroz: 1 chávena
Água: 3 a 4 chávenas
Sal: q.b.

Leve o azeite ao lume com 1 alho pisado e com a chouriça fatiada. Apure um pouco e junte-lhe cogumelos laminados, e o arroz, para que absorva alguns aromas. Junte a água e deixe cozinhar. Tempere a gosto.

Servi montando o arroz, a carne e o tomate, as batatas de lado, algum nabo em palitos finos, umas folhas de hortelã, e líquido do tabuleiro do cabrito.

Agradeço à minha tia Laurinda, que fez a chouriça, muito saborosa, embora ela se queixe que tiveram pouco tempo de fumeiro.

Ainda tenho de pedir às tias as receitas de chouriça... mesmo que me falte o espaço para o fumeiro à alentejana.

15 maio 2007


Estava à procura de uma entrada para um jantar de família especial e dei com esta receita da Elvira. Experimentei e saiu muito bem - toda a gente gostou. Os sabores da lima e do gengibre dão um toque diferente e muito agradável aos camarões.
A única diferença que notei face à receita original foi nos tempos - precisei de mais tempo de frigideira; mas provavelmente foi por ter usado camarões grandes, que não cozinham tão rapidamente.


Ingredientes (4 pessoas):
600g de camarão médio/grande
20g de gengibre fresco
2 colheres de sopa de azeite
4 colheres de sopa de sumo de lima
1 colher de sopa de molho de soja
coentros
pimenta


Preparação:
Comece por lavar o camarão em água corrente, secando-o bem.

De seguida, prepare a marinada, colocando num prato fundo o azeite misturado com 2 colheres de sumo de lima. Junte o gengibre, cortado finamente em palitos, e o molho de soja. Deite os camarões no prato, envolvendo-os bem na marinada. Deixe a repousar durante 2 horas.

Passado o tempo, coloque uma frigideira ao lume. Retire os camarões, escorrendo-os bem (reserve a marinada), e coloque-os na frigideira, salteando até começarem a ganhar cor - dependendo do tamanho, poderá demorar de 2 minutos a alguns mais.

Nesta altura tempere com pimenta e acrescente o restante sumo de lima e a marinada, deixando ferver até os camarões estarem cozinhados. Retire-os do lume, espalhe coentros picados por cima e sirva.

13 maio 2007

Depois de umas férias por terras distantes, eis-me de volta, e com vontade de comer arroz doce.

Esta é a segunda de 3 variantes que estou a experimentar com arroz doce. De tempos antigos que passei em Inglaterra ficaram-me algumas memórias, e o sabor intenso do lemon curd faz parte do reportório. Gosto muito de limão, e sou capaz de comer metade de um limão com o mesmo prazer de quem come uma laranja. Por falar em laranjas, recordo-me de ter feito há alguns anos atrás um arroz doce em que a laranja substituiu o limão – que desgraça...

Nesta receita, o habitual travo de limão no arroz doce sai muito reforçado com o lemon curd, numa receita dedicada a amantes do limão.1

Faça o arroz doce, podendo seguir esta receita.

Para o lemon curd:

Limões: 2
Ovos: 2
Açúcar: 150 grs
Vaqueiro: 120 grs
Farinha maizena: 1 colher de sopa, rasa.

Bata os ovos levemente. Junte o açúcar, a raspa e sumo dos 2 limões, a margarina Vaqueiro, e a colher de maizena.
Leve a lume brando, evitando que ferva, por 6 a 8 minutos, deixando engrossar. Baixe o lume para o mínimo e deixe cozinhar por mais 1 a 2 minutos.

Disponha o arroz em tabuleiro, e polvilhe toda a superfície com canela. Enfeite com o lemon curd. Se engrossar o lemon curd com um pouco mais de farinha maizena, poderá usar um saco de pasteleiro com um bico fino para fazer a decoração.

28 abril 2007


Já há uns tempos que queria experimentar fazer favas com carne de porco, um dos meus pratos tradicionais preferidos, usando a receita da minha sogra. Já as tinha comido várias vezes feitas por ela, e eram sempre uma delícia - e agora, seguindo a receita, ficaram-me também muito boas.

Um dos pontos mais importantes para este prato são os ingredientes - neste caso tivemos a sorte de ter favas fresquíssimas, compradas logo após terem sido apanhadas, bem como enchidos excelentes, tudo da zona de Vendas Novas. Só isso já é metade do sabor.


Ingredientes (4 pessoas):
700g de lombinho de porco
840g de favas
65g de chouriço
65g de chouriço de sangue
1 ramo com hortelã, coentros, casca da fava e folha de alho-francês (junte as diversas ervas e ate-as com fio)
louro, alho, sal, pimenta, colorau
azeite


Preparação:
Comece por temperar o porco de véspera com louro, alho esmagado (o ideal é esmagar em almofariz até obter uma pasta, e barrar a carne com ela), sal, pimenta, um pouco de colorau e um pouco de azeite.

Pegue numa frigideira, deite-lhe um pouco de azeite e coloque a carne a fritar. Quando já estiver quase pronto, deite-lhe os enchidos e frite-os também.

De seguida, pegue numa panela grande e deite-lhe o porco e os enchidos. Cubra com as favas e o ramo de ervas. Junte um copo de água e tempere com sal. Deixe cozinhar, mexendo de vez em quando (sempre com uma colher de pau - e não quando as favas já estiverem muito cozidas, para evitar desfazê-las).

Quando estiver a ferver, controle a água - se necessário deite mais um pouco, para evitar que pegue ao fundo. Já no final da cozedura, prove e retifique o sal, se for preciso.

E pronto, depois é só servir!
 
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